O nome de Lucas Magalhães de Souza voltou ao centro das atenções no Pará nesta terça-feira (25), quando o empresário foi condenado pelo Tribunal do Júri de Belém a 4 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal e disparo de arma de fogo. Ele foi, porém, absolvido das acusações de homicídio e fraude processual relacionadas à morte da estudante e influenciadora Yasmin Fontes Cavaleiro de Macêdo e poderá recorrer em liberdade.
Empresário e apresentado em suas redes sociais como engenheiro, Lucas tornou-se figura conhecida do noticiário paraense principalmente a partir do caso Yasmin. Além de ser proprietário da lancha utilizada no passeio no rio Maguari em dezembro de 2021, também ficou associado a grandes equipamentos de som automotivo usados em festas e praias do Estado.
Um deles é o “Paredão L. Magalhães”, carretinha de som de grandes dimensões que ganhou repercussão em julho de 2022 ao ficar atolada na praia do Atalaia, em Salinópolis, e precisar da ajuda de máquinas para ser retirada antes do avanço da maré. Veículos de comunicação identificaram Lucas como empresário e proprietário do equipamento.
Dois anos depois, o nome dele voltou ao noticiário de Salinas. Em julho de 2024, Lucas foi um dos citados em ação judicial que buscava impedir festas com paredões e carretinhas de som nas praias do Atalaia e Farol Velho. A Justiça estabeleceu multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. O evento relacionado a ele era identificado nos autos como “Paredão Magalhães”.
A noite que mudou a trajetória de Lucas Magalhães
A exposição pública de Lucas, entretanto, passou a ser definitivamente associada ao caso Yasmin após 12 de dezembro de 2021. Yasmin tinha 21 anos, estudava Medicina Veterinária e atuava como influenciadora digital. Naquela noite, ela participava de um passeio em uma lancha no rio Maguari, em Belém, quando desapareceu. O corpo foi encontrado no dia seguinte, próximo a uma marina em Icoaraci. A perícia apontou afogamento como causa da morte.
Lucas era o proprietário e condutor da embarcação, na qual estavam outras 18 pessoas. As investigações apontaram excesso de passageiros, ausência de equipamentos adequados de salvamento e disparos de arma de fogo durante o passeio.
Em novembro de 2022, após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou Lucas e outras seis pessoas. No caso dele, foram apontados homicídio com dolo eventual, fraude processual, porte ilegal e disparo de arma de fogo. A investigação também sustentou que alterações na embarcação teriam dificultado a reprodução simulada dos fatos.
Lucas chegou a ser preso preventivamente em novembro de 2022 e permaneceu custodiado até março de 2023, quando o TJPA concedeu habeas corpus e substituiu a prisão por medidas cautelares. Desde então, passou a responder ao processo em liberdade.
Recursos e o julgamento final
A Justiça decidiu que Lucas deveria enfrentar júri popular, mas a defesa apresentou sucessivos recursos. Em fevereiro de 2025, o TJPA voltou a manter a pronúncia. Após a tramitação chegar às instâncias superiores, o julgamento foi finalmente marcado para 25 de agosto de 2026.
A sessão durou cerca de 14 horas no Fórum Criminal de Belém. Durante os debates, o Ministério Público abandonou a tese de homicídio com dolo eventual e pediu a desclassificação para homicídio culposo. Ao final, os sete jurados absolveram Lucas em relação à morte de Yasmin e também da fraude processual.
Por outro lado, reconheceram sua responsabilidade pelos crimes de porte ilegal e disparo de arma de fogo. A sentença destacou que Lucas mantinha arma municiada em uma embarcação superlotada, em ambiente com consumo de bebidas alcoólicas, e considerou os disparos exibicionistas e capazes de ampliar o risco aos ocupantes. A pena definitiva ficou em 4 anos e 10 meses, mais 300 dias-multa.
Réu não sai preso do fórum
Lucas não saiu preso do Fórum. A decisão assegurou o direito de recorrer em liberdade, embora tenha estabelecido o regime inicial semiaberto caso a pena venha a ser executada nos termos fixados pela Justiça.
Quase cinco anos depois da morte que transformou seu nome em personagem recorrente do noticiário policial paraense, Lucas chega ao fim do júri absolvido pela morte de Yasmin, mas condenado pelos crimes relacionados à arma utilizada durante aquele passeio.
O post Lucas Magalhães: quem é o empresário condenado por crimes com arma no caso Yasmin apareceu primeiro em Diário do Pará.






