Um jingle em ritmo de axé colocou o ex-prefeito de Cocal dos Alves, no Piauí, Osmar de Sousa Vieira, conhecido como Osmarzinho, novamente entre os assuntos comentados nas redes sociais. Em formato de “sabatina musical”, a gravação dispara perguntas sobre episódios atribuídos ao político, familiares e aliados, misturando críticas à administração municipal e acusações que, em parte, não possuem comprovação apresentada junto à música.
O conteúdo ganhou circulação principalmente no TikTok e Instagram e acabou compartilhado por páginas de notícias de dentro e fora do Piauí. Até esta segunda-feira (24), a autoria da gravação não havia sido identificada. Osmarzinho é irmão do deputado estadual Rubens Vieira e tio do atual prefeito de Cocal dos Alves.
Da Câmara à Prefeitura
Antes de ocupar o Executivo municipal, Osmar construiu sua trajetória política como vereador. Em 2012, foi eleito para a Câmara Municipal de Cocal dos Alves pelo PSDB. Quatro anos depois entrou na disputa pela Prefeitura e venceu.
Na eleição de 2016, recebeu 2.259 votos, o equivalente a 51,73% dos votos válidos, contra 48,27% de Ivan. Em 2020, conquistou a reeleição com vantagem maior: foram 2.508 votos, ou 58,69%, diante dos 41,31% obtidos por Edmilson Alves Vieira.
Com as duas vitórias consecutivas, Osmarzinho permaneceu à frente da Prefeitura de Cocal dos Alves de 2017 até o fim de 2024.
Contas passaram pelo TCE-PI
Os oito anos de administração também foram acompanhados por análises dos órgãos de controle. No Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), a prestação de contas de 2017 teve processos relacionados a uma denúncia envolvendo supostas irregularidades em procedimentos licitatórios e uma representação referente aos gastos com pessoal.
As contas de governo daquele exercício acabaram aprovadas com ressalvas. A existência dos procedimentos, portanto, não significa que todas as alegações analisadas tenham sido comprovadas ou que as contas do então prefeito tenham sido rejeitadas.
Já nas contas referentes a 2020, o TCE-PI emitiu parecer prévio pela aprovação. Nos últimos anos da administração, contratos e licitações também foram analisados. Em uma inspeção relativa a 2023, processos licitatórios da Prefeitura foram examinados e o Tribunal determinou a emissão de recomendações.
Educação entrou na mira do MPF
Um dos pontos mencionados pelo jingle tem relação com uma investigação existente. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades em informações sobre matrículas da rede municipal durante a gestão de Osmarzinho.
A apuração envolve dados de 2023 e possíveis inconsistências na quantidade de estudantes registrados como matriculados em tempo integral nos sistemas do INEP/MEC. A suspeita investigada é se informações incorretas teriam provocado aumento nos repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) destinados ao município.
O inquérito, no entanto, não representa condenação e tampouco comprova automaticamente as acusações apresentadas na música. O procedimento busca justamente esclarecer se houve irregularidade.
Jingle reúne acusações
Na gravação que circula nas redes, a estrutura baseada nas perguntas “Quem foi?” e “Quem é?” é utilizada para atribuir diferentes episódios ao ex-prefeito e a integrantes de sua família.
Além da educação, os versos fazem referências a promessas de asfaltamento e empregos que, segundo a própria composição, não teriam sido cumpridas. A música também apresenta acusações envolvendo mortes, armas, empréstimos e outras questões financeiras.
Essas alegações devem ser entendidas dentro do contexto de uma peça de conteúdo político. Embora um dos assuntos encontre correspondência em investigação do MPF, as demais acusações necessitam de comprovação própria e não podem ser apresentadas como fatos apenas porque aparecem na letra.
Quem está por trás da música?
A identidade de quem escreveu ou produziu o jingle permanece desconhecida. Também não há, entre as informações disponíveis até esta segunda-feira, confirmação sobre quem publicou originalmente a gravação.
Da mesma forma, não havia registro de eventual medida tomada por Osmarzinho em resposta à música ou às acusações feitas na composição.
Mesmo sem ocupar mais a Prefeitura, o ex-gestor permanece inserido no cenário político de Cocal dos Alves. O atual prefeito, Wodson Vieira, já apareceu publicamente ao lado dele em agendas políticas.
Depois de dois mandatos consecutivos, análises de contas pelos órgãos de controle e uma investigação envolvendo dados da educação, Osmarzinho agora vê sua trajetória ganhar uma versão cantada e compartilhada nas redes, em meio às disputas da política local.
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