Cerca de 25 cães mortos foram encontrados dentro de sacos de lixo fechados em Lages, na Serra de Santa Catarina, em um caso que provocou indignação e abriu investigação para descobrir como os animais morreram e quem realizou o descarte. Os corpos chegaram a ter a incineração considerada, mas a medida foi descartada e uma ordem de sepultamento garantiu a preservação dos restos para a realização da perícia.
A descoberta ocorreu na manhã de sexta-feira (21), no bairro Santa Clara. Equipes do Centro de Bem-Estar Animal (Cobea) chegaram ao local inicialmente para verificar denúncias relacionadas ao abandono de animais vivos. Durante a vistoria, encontraram um cenário muito mais grave: aproximadamente 25 cães mortos depositados irregularmente na área.
Os animais estavam em avançado estado de decomposição, alguns já reduzidos a ossadas. A condição dos corpos dificultou uma avaliação visual capaz de determinar imediatamente as causas das mortes.
Incineração descartada para preservar provas
Diante do estado dos animais, surgiu a possibilidade de incineração dos restos. A alternativa, entretanto, não foi adotada.
Segundo a Polícia Científica de Santa Catarina, o avançado processo de putrefação e a existência de animais já reduzidos a ossadas inviabilizaram esse procedimento. A delegada responsável pelo caso determinou então que os cães fossem sepultados no próprio local.
A decisão também é importante para a investigação. O sepultamento permite que os restos sejam preservados para eventuais análises necessárias à produção dos laudos da Polícia Científica.
A causa das mortes ainda não havia sido determinada até a divulgação das informações. Por isso, não é possível afirmar neste momento se todos os animais morreram em decorrência de maus-tratos, doenças, envenenamento ou outras circunstâncias.
Polícia Civil investiga e prefeita acompanha o caso
A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer a origem dos cães, as circunstâncias das mortes e quem foi responsável por colocar os corpos dentro dos sacos e descartá-los clandestinamente.
A degradação dos tecidos representa um dos obstáculos para a perícia. Os laudos deverão auxiliar os investigadores na tentativa de identificar sinais capazes de indicar o que aconteceu antes de os animais serem abandonados.
A ocorrência chegou ao conhecimento do Cobea depois de denúncias formalizadas em boletim de ocorrência e encaminhadas pelo Ministério Público. O alerta original tratava da presença de animais vivos abandonados na região.
A dimensão do caso levou a prefeita de Lages, Carmen Zanotto, a acompanhar pessoalmente os trabalhos no bairro Santa Clara. A prefeita classificou a situação como triste e motivo de indignação e afirmou que os órgãos responsáveis pela investigação foram acionados assim que o município recebeu as informações.
Sobreviventes serão resgatados
O trabalho das autoridades não ficará restrito aos animais encontrados mortos. A Prefeitura de Lages programou para segunda-feira (24) uma força-tarefa destinada ao recolhimento e acolhimento dos cães que continuam vivos e desassistidos nas proximidades.
A medida busca evitar que outros animais permaneçam expostos ao abandono e às condições encontradas naquela área.
O município também anunciou a instalação de câmeras de videomonitoramento no trecho onde ocorreu o descarte. A intenção é ampliar a fiscalização, identificar movimentações suspeitas e inibir novas ocorrências.
Por que os cães morreram e foram colocados em sacos?
Enquanto as medidas administrativas avançam, o ponto central permanece nas mãos da investigação: determinar por que aproximadamente 25 cães morreram e como seus corpos terminaram fechados dentro de sacos plásticos em uma área do bairro Santa Clara.
Os resultados da perícia serão fundamentais para indicar se houve crime de maus-tratos e fornecer elementos que possam levar à identificação e responsabilização dos envolvidos.
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