A paralisação dos bancários deverá afetar o atendimento presencial em agências de todo o Pará nesta quinta-feira (20), em uma mobilização de 24 horas aprovada pela categoria dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O movimento começa à meia-noite e envolve trabalhadores de bancos públicos e privados. No Estado, 93,56% dos participantes da assembleia realizada pelo Sindicato dos Bancários do Pará aprovaram a suspensão das atividades.
Por estratégia de organização, o sindicato informou que divulgará somente nas primeiras horas desta quinta quais agências terão concentração de trabalhadores e onde ocorrerão os atos. Dessa forma, ainda não existe uma relação definitiva das unidades bancárias que ficarão sem atendimento presencial no Pará.
A paralisação não significa que todas as agências serão automaticamente fechadas. A adesão ocorre individualmente entre os trabalhadores e, por isso, algumas unidades podem interromper totalmente o atendimento, enquanto outras podem funcionar parcialmente. Caixas eletrônicos, aplicativos, internet banking, Pix e demais serviços digitais devem continuar disponíveis normalmente.
A mobilização nacional ocorre depois de semanas de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). As mesas começaram em 2 de julho e chegaram à oitava rodada nesta terça-feira (18), mas a categoria afirma que ainda não houve uma proposta considerada satisfatória para o reajuste de salários e benefícios.
Reivindicações da categoria e negociações com a Fenaban
Entre as principais reivindicações está um aumento real de 5%, além da reposição da inflação, aplicado aos salários e a verbas como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação e vale-refeição. A categoria também reivindica valorização do piso salarial e manutenção do atual modelo da PLR.
A mobilização ganhou força após uma proposta apresentada pela Fenaban prever congelamento do piso salarial de ingresso e reajustes diferenciados de acordo com faixas salariais. A ideia foi rejeitada pelos trabalhadores. Depois da reação nacional e das assembleias, os bancos retiraram da negociação o modelo de reajuste por faixas, mas ainda não houve acordo econômico definitivo.
Além das questões salariais, os bancários reivindicam o fim das chamadas metas abusivas, manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, proteção dos empregos, fortalecimento dos bancos públicos e regras para reduzir o monitoramento dos empregados em teletrabalho.
Negociações específicas no Pará: Banpará e Basa
No Pará, a campanha possui ainda uma particularidade: além da negociação nacional com a Fenaban, existem mesas específicas envolvendo o Banco do Estado do Pará (Banpará) e o Banco da Amazônia (Basa), instituições com forte presença no Estado.
No Basa, as negociações chegaram à quinta rodada e incluíram discussões sobre a PLR de 2026. Dados apresentados durante a mesa indicaram que algumas metas do primeiro trimestre não foram alcançadas, deixando indicadores zerados e, até aquele momento, sem previsão de distribuição do benefício.
No Banpará, cinco rodadas de negociação já haviam ocorrido até 12 de agosto. Entre os pontos discutidos estão o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), Vale-Cultura e a criação de um adicional de qualificação profissional em substituição ao atual Programa de Desenvolvimento Educacional do Banpará (PDEB).
A proposta prevê que o novo adicional comece a ser pago em 1º de janeiro de 2027 e permaneça durante a vida funcional do empregado, observados os critérios relacionados à formação profissional e às áreas consideradas estratégicas pelo banco.
Negociações devem ser retomadas após paralisação
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, integra o Comando Nacional dos Bancários e participa diretamente das negociações com a Fenaban. O movimento no Estado integra uma paralisação nacional de 24 horas marcada para esta quinta. Também existem mobilizações da categoria no Amapá, onde o sindicato local convocou os trabalhadores para deliberar sobre a mesma paralisação nacional.
Para os clientes dos bancos paraenses, a principal orientação é verificar o funcionamento da agência antes de buscar atendimento presencial e, sempre que possível, utilizar os canais eletrônicos. Boletos, contas e faturas continuam com os vencimentos normais e podem gerar encargos caso não sejam pagos no prazo.
As negociações entre o Comando Nacional e a Fenaban devem ser retomadas após a paralisação, com nova rodada prevista para segunda-feira (24).
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