A investigação sobre a morte de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, entra nesta quarta-feira, 19 de agosto, em uma das etapas mais importantes desde a abertura do inquérito. O prontuário médico da jovem será juntado à investigação, o celular dela será entregue para extração e perícia e a irmã, Ana Caroline Coelho, será ouvida como testemunha.
No mesmo dia, o cirurgião plástico André Santana Melo, responsável pela cirurgia de Giovanna, é esperado às 15h na Seccional do Comércio, em Belém, para prestar esclarecimentos sobre o caso. A informação foi confirmada pelo advogado Marco Pina, que representa a família da jovem ao lado da advogada Isis Coelho.
Prontuário médico e celular de Giovanna serão analisados
Segundo o advogado, o prontuário foi fornecido pelo hospital particular onde Giovanna realizou a cirurgia e será incorporado ao inquérito. Para a equipe jurídica, o documento pode ajudar a reconstruir o atendimento desde a internação até o momento do óbito.
“O prontuário com certeza irá revelar muita coisa do que aconteceu desde a hora em que a Giovanna se internou até a hora do óbito”, afirmou Marco Pina.
O advogado também informou que o celular de Giovanna será submetido à extração e perícia. O objetivo é permitir que a autoridade policial tenha acesso a informações que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte.
O aparelho poderá ser analisado em conjunto com os demais elementos do inquérito, incluindo documentos médicos e depoimentos.
Irmã da vítima será ouvida e médico prestará esclarecimentos
Ana Caroline Coelho, irmã de Giovanna, também será ouvida nesta etapa. Ela prestará depoimento na condição de testemunha.
Ana Caroline é médica residente de Oftalmologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestranda em Saúde da Amazônia pela mesma universidade. Desde a morte da irmã, ela tem relatado detalhes sobre o planejamento da cirurgia, o atendimento recebido no pós-operatório e os acontecimentos que antecederam o óbito. O depoimento deverá formalizar na investigação informações já apresentadas publicamente pela família.
De acordo com Marco Pina, outras pessoas também poderão ser chamadas para prestar esclarecimentos durante o inquérito. Os depoimentos podem indicar novos nomes e ajudar a definir quais profissionais ou testemunhas ainda precisam ser ouvidos.
André Melo é esperado às 15h
A presença de André Melo na Seccional do Comércio é aguardada para as 15h. Será a primeira vez, segundo a defesa da família, que o médico prestará esclarecimentos formalmente à Polícia Civil sobre a morte de Giovanna.
A intimação não significa que o médico seja obrigado a responder às perguntas. Ele pode permanecer em silêncio e tem direito de estar acompanhado por advogado durante o procedimento. O depoimento será analisado junto aos documentos e demais provas reunidas pela investigação.
Família relata procedimentos e complicações pós-cirúrgicas
Giovanna foi internada em um hospital particular da Grande Belém no dia 7 de agosto para realizar quatro procedimentos, segundo os familiares: lipoaspiração, abdominoplastia, colocação de prótese mamária e enxerto nos glúteos.A cirurgia teria durado aproximadamente quatro horas e meia.
No dia seguinte, 8 de agosto, por volta das 20h, Giovanna morreu.
A família afirma que a jovem apresentou dores e passou mal após a cirurgia. Segundo os relatos dos parentes, ela teria pedido ajuda antes de o quadro se agravar. Os familiares também afirmam que Giovanna sofreu quatro paradas cardíacas.
Esses relatos serão agora confrontados com o prontuário, os depoimentos e os demais elementos que forem reunidos pela Polícia Civil.
Classificação provisória e outros relatos de pacientes
Segundo Marco Pina, o inquérito possui atualmente uma classificação provisória de homicídio culposo. A hipótese considera a possibilidade de negligência, imprudência ou imperícia. O enquadramento, porém, não é definitivo.
O próprio advogado ressalta que não cabe à família ou à defesa estabelecer antecipadamente a responsabilidade de André Melo. A Polícia Civil deverá investigar os fatos, reunir provas, ouvir testemunhas e investigados e, ao final, decidir se existem elementos para eventual indiciamento. Também caberá ao Ministério Público analisar o resultado da investigação e decidir sobre eventual denúncia. Uma possível condenação ou absolvição será de competência da Justiça.
Depois da repercussão da morte de Giovanna, mais de dez mulheres procuraram a família e a equipe jurídica para relatar problemas que teriam ocorrido após procedimentos realizados pelo mesmo médico.
Segundo Marco Pina, alguns relatos mencionam sequelas, inclusive casos considerados graves. A equipe afirma possuir documentos e outros elementos relacionados a parte dessas histórias e pretende encaminhá-los à Polícia Civil.
Os relatos ainda precisam ser investigados individualmente e não representam uma conclusão oficial de que houve irregularidade ou crime.
A expectativa dos advogados é que as autoridades analisem os materiais e, se houver elementos suficientes, possam instaurar investigações específicas sobre outros casos.
Posicionamento da Polícia Civil e da defesa do médico
Sobre o andamento das investigações, a Polícia Civil do Pará enviou o seguinte comunicado, aqui reproduzido na íntegra:
“A Polícia Civil do Pará informa que o caso é investigado pela Seccional do Comércio. Para esclarecer os fatos, foram solicitados documentos, entre eles o prontuário médico da paciente, imagens e escalas de trabalho. Até o momento, a unidade aguarda o envio do material”.
Ao DIÁRIO, a equipe jurídica de André Melo também enviou nesta quarta-feira, 19 de agosto, a seguinte nota, reproduzida aqui na íntegra:
“Lamento profundamente o falecimento de Giovana Coelho e manifesto minha solidariedade aos seus familiares, amigos e a todos que enfrentam a dor de sua perda. Como médico, compreendo a sensibilidade de uma situação como esta e o impacto que ela provoca em todos os envolvidos.
Exerço a medicina há 25 anos, sendo 19 deles dedicados à cirurgia plástica. Sou membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e, ao longo da minha trajetória profissional, realizei aproximadamente 7 mil cirurgias, sempre pautando minha atuação pela ética, pela responsabilidade técnica e pelo cuidado com os pacientes.
As circunstâncias relacionadas ao falecimento ainda precisam ser devidamente esclarecidas a partir da análise técnica dos elementos do caso.
Até o momento, não existem conclusões que permitam estabelecer publicamente as causas do óbito ou atribuir responsabilidades.
Estou integralmente à disposição dos órgãos competentes e apresentarei, sempre que solicitado, todas as informações e documentos necessários à correta compreensão dos fatos.
Por dever ético e respeito à paciente e à sua família, não posso tornar públicas informações clínicas, dados de prontuário ou detalhes relacionados ao atendimento.
O sigilo médico deve ser preservado mesmo diante da repercussão do caso, e as informações pertinentes serão prestadas nos ambientes adequados às autoridades responsáveis pela apuração.
Reitero meus sentimentos aos familiares e amigos de Giovana e seguirei colaborando para que todas as circunstâncias sejam esclarecidas com seriedade, imparcialidade e rigor técnico”.
Próximos passos da investigação
Com a entrada do prontuário médico, a perícia do celular e o início das oitivas, a investigação passa a reunir elementos capazes de reconstruir com maior precisão as horas entre a internação de Giovanna e a morte.
Marco Pina afirma que esse é apenas o começo de uma investigação que ainda deverá produzir muitas provas.
“A expectativa é grande porque agora já o prontuário com certeza irá revelar muita coisa do que aconteceu desde a hora em que a Giovanna se internou até a hora do óbito e também a fase das oitivas”, afirmou.
O advogado também destacou que outras pessoas ainda poderão prestar depoimentos ao longo da apuração.
“Então é só o início de uma longa saga aí do inquérito policial”, declarou.
O post Caso Giovanna tem novas provas nesta quarta: prontuário e celular entram no inquérito; médico será ouvido apareceu primeiro em Diário do Pará.






