Uma loja de roupas femininas de Florianópolis, em Santa Catarina, passou a enfrentar uma onda de críticas após a proprietária afirmar publicamente que não queria “cliente pobre” no estabelecimento. A empresária Marciane Bett, dona da Deusa Colorida Modas, tornou-se alvo de forte repercussão nas redes sociais e, além de avaliações negativas de consumidores, a empresa foi notificada pelo Procon de Florianópolis.
A controvérsia começou após Marciane publicar vídeos reclamando de clientes que procuravam roupas de valores mais baixos. Em uma das postagens, apareceu a mensagem “Eu não QUERO cliente pobre”. Em outro momento, a empresária criticou consumidores interessados em produtos de R$ 20 ou R$ 50 e afirmou preferir compradores que chegam a gastar R$ 1 mil ou R$ 2 mil de uma só vez.
Procon notifica loja e pede esclarecimentos
As declarações provocaram reação imediata. Nesta quinta-feira (13), o Procon de Florianópolis notificou a Deusa Colorida Modas e concedeu prazo de 48 horas para esclarecimentos. O órgão quer saber se existe alguma política de diferenciação no atendimento baseada em renda, condição social, aparência ou valor da compra e se algum consumidor já teve atendimento, acesso à loja ou venda recusados por esses critérios.
O Procon também pediu informações sobre autoria, autenticidade e contexto das gravações, além das providências que serão tomadas para assegurar tratamento digno e sem discriminação aos consumidores. Caso sejam constatadas irregularidades, poderá ser aberto processo administrativo com aplicação das sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor, assegurados contraditório e ampla defesa à empresa.
Relatos de consumidores e pedido de desculpas
A repercussão também trouxe à tona avaliações antigas e recentes feitas por consumidores na internet. Entre os relatos reproduzidos pela imprensa estão acusações de atendimento ríspido, insistência para que clientes concluíssem compras e supostos deboches. Uma consumidora afirmou que, depois de experimentar várias peças e decidir não comprar devido ao preço, teria sido tratada com desprezo e xingada pela proprietária ao deixar o estabelecimento. Esses relatos são versões individuais de clientes e não representam conclusões do Procon sobre a empresa.
No Reclame Aqui, também existem registros de consumidores envolvendo a Deusa Colorida Modas, inclusive reclamações relacionadas a atendimento e problemas com troca de produtos. As manifestações ganharam nova visibilidade depois que os vídeos da empresária viralizaram.
Após a reação negativa, Marciane Bett divulgou um pedido público de desculpas. A empresária reconheceu que utilizou palavras inadequadas ao explicar o posicionamento comercial da loja e afirmou que as declarações não representam os valores do estabelecimento. Segundo ela, a Deusa Colorida atua há cerca de 20 anos no comércio de moda feminina.
Após repercussão, empresária se desculpa
“Peço desculpas sinceramente a quem se sentiu desrespeitado ou ofendido. Não é essa a imagem que queremos transmitir”, afirmou Marciane após a repercussão. A empresária declarou ainda que o episódio serviria de aprendizado.
A fiscalização, porém, continua. Para o Procon, as publicações não poderiam ser tratadas apenas como manifestações pessoais porque também mencionavam produtos, coleção, condições de pagamento e o perfil de consumidor pretendido pela empresa. O órgão agora aguarda a resposta da Deusa Colorida Modas antes de decidir se haverá outras medidas administrativas.
O post “Eu não quero cliente pobre!”: dona desdenha de clientes pirangueiros, viraliza e se torna alvo do Procon apareceu primeiro em Diário do Pará.






