O nome de Ivan Thiago Serra Duarte surgiu nesta quarta-feira, 12, entre os quatro homens detidos pela Polícia Militar durante uma operação em Marituba, na Região Metropolitana de Belém. O caso foi divulgado pelo Diário Polícia, mas a identidade de um dos suspeitos só veio a público posteriormente.
Ivan é integrante do diretório municipal do PL em Belém, legenda comandada no município por Deyje Vilaça, irmão do vereador de Belém Mayky Vilaça, do PL. O dirigente partidário também já esteve no centro de outra ocorrência policial. Em 2020, durante a pandemia da covid-19, ele foi preso por organizar carreatas contra as medidas de isolamento social na capital paraense.
Agora, Ivan aparece entre os quatro homens abordados pela PM durante a “Operação Fim de Linha”, realizada na tarde de segunda-feira, 10, em Marituba. A polícia encontrou dentro do veículo em que eles estavam uma série de objetos que levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de falsificação da identidade de agentes da Polícia Civil.
Operação Fim de Linha: o que a polícia encontrou
A abordagem ocorreu por volta das 16h, no Residencial Almir Gabriel, depois que a Polícia Militar recebeu denúncias sobre um Volkswagen Gol preto que circulava pela região. Segundo as informações repassadas aos policiais, um dos ocupantes estaria usando uma balaclava.
Equipes do 21º Batalhão da Polícia Militar localizaram o veículo e fizeram a interceptação. Durante a revista, os policiais identificaram Ivan Thiago Serra Duarte, João Vitor Moraes da Costa, Jonylson Alex Barros de Almeida e Hemerson Nonato da Silva Sousa.
Dentro do carro, os militares encontraram um colete balístico, uma balaclava, dois distintivos da Polícia Civil e dois simulacros de pistola. O material apreendido também incluía alicates, tesouras, chaves, oito celulares, lanternas e fitas adesivas.
Além disso, a equipe localizou três munições de calibre 9 mm. Uma delas estava deflagrada.
O conjunto de equipamentos chamou a atenção dos policiais porque reunia objetos semelhantes aos utilizados por forças de segurança e instrumentos que poderiam ser empregados em diferentes tipos de ação criminosa.
Versão dos suspeitos e investigação da Polícia Civil
Durante os depoimentos, os quatro homens apresentaram uma justificativa para a presença dos materiais no veículo. Segundo eles, os objetos seriam utilizados para tentar recuperar uma motocicleta que havia sido roubada, sem recorrer diretamente às autoridades.
A versão, no entanto, passou a ser analisada pela Polícia Civil. Conforme a autoridade policial, o conjunto de objetos encontrado no carro não seria compatível, em princípio, com a explicação apresentada pelos suspeitos.
Por isso, os investigadores passaram a apurar se os materiais poderiam estar relacionados ao planejamento de outros crimes em Marituba ou em municípios da Região Metropolitana de Belém.
A investigação deverá verificar, ainda, a origem dos distintivos da Polícia Civil, dos simulacros, do colete e dos demais equipamentos encontrados no veículo.
Grupo liberado: investigação continua
Após a abordagem, os quatro homens foram encaminhados para a Seccional Urbana de Marituba, onde prestaram depoimento e passaram pelos procedimentos legais.
Depois da formalização da ocorrência, os quatro foram liberados para responder ao processo em liberdade. A soltura não encerra a investigação nem significa que a Polícia Civil tenha descartado a possibilidade de envolvimento dos suspeitos em outros delitos.
Agora, os investigadores deverão analisar os materiais apreendidos, ouvir os envolvidos e cruzar as informações com ocorrências registradas na região.
A Polícia Civil continua investigando para descobrir a origem dos objetos e esclarecer qual seria a finalidade do grupo ao transportar distintivos, simulacros, munições, colete balístico e outros equipamentos.
A apuração também deve verificar se os quatro homens possuem alguma relação com roubos, extorsões ou outros crimes registrados em Marituba e na Região Metropolitana de Belém.
O caso ganha repercussão política pela presença de Ivan Thiago Serra Duarte, integrante do diretório municipal do PL em Belém, entre os detidos. Até o momento, porém, a investigação ainda precisa esclarecer individualmente a participação de cada um dos quatro homens e confirmar se os materiais encontrados tinham, de fato, alguma finalidade criminosa.
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