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Cães e gatos: nova regra pode exigir microchip e castração para venda de pets no Brasil

Projeto em análise no Senado prevê novas exigências para a venda de cães e gatos, incluindo microchip e castração. Foto: divulgação/reprodução

A venda de cães e gatos no Brasil pode ganhar novas regras caso um projeto em análise no Senado avance. O PL 4.855/2026 prevê a adoção de microchip, castração, registro de estabelecimentos, acompanhamento veterinário e vacinação em dia para combater o comércio irregular de animais de estimação.

A proposta foi apresentada pelo senador e médico-veterinário Wellington Fagundes, do PL de Mato Grosso. O texto busca aumentar o controle sobre criadores e estabelecimentos que comercializam pets. Além disso, pretende dificultar a atuação de criadouros clandestinos e reduzir problemas relacionados ao abandono de animais.

O projeto ainda não virou lei. Portanto, as novas exigências não estão valendo. Neste momento, a proposta aguarda despacho da Presidência do Senado para seguir para as comissões temáticas.

Se o texto avançar e receber aprovação no Congresso, as regras ainda dependerão de sanção presidencial antes de entrar em vigor.

O que o projeto prevê para a venda de pets

Um dos principais pontos do PL 4.855/2026 envolve a castração dos cães e gatos destinados à venda por criadores comerciais. A proposta também estabelece a identificação e a rastreabilidade dos animais por meio de microchip.

O sistema permitiria acompanhar a procedência do animal durante a vida. Dessa forma, a medida busca dificultar a comercialização sem controle e ampliar a responsabilidade de quem cria e vende cães e gatos.

Segundo a proposta, os animais reprodutores utilizados por estabelecimentos comerciais também deverão receber identificação por microchip.

A medida pretende atingir um problema que vai além da venda irregular. O texto relaciona a reprodução sem controle ao aumento do abandono de animais e à sobrecarga de abrigos e serviços públicos.

Com a identificação individual, o projeto também pretende facilitar o controle da origem dos animais e dar mais informações aos compradores.

Castração está entre as principais medidas previstas no projeto que busca combater a reprodução sem controle e o abandono de animais. Foto: divulgação/reprodução

Criadores terão novas responsabilidades

O projeto estabelece ainda uma série de obrigações para os criadores comerciais e estabelecimentos que vendem pets.

Entre elas está o registro do estabelecimento e o acompanhamento de médico-veterinário. O local também deverá manter instalações adequadas do ponto de vista físico e sanitário.

A proposta prevê essas exigências para ajudar a conter a proliferação de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos.

Além disso, os estabelecimentos deverão manter controle de vacinação e prontuário veterinário dos animais.

Na prática, a intenção é criar um histórico mais completo de cada cão ou gato comercializado. Assim, o comprador poderá ter acesso a informações sobre saúde, vacinação e procedência.

O que o comprador deverá receber

O projeto também estabelece responsabilidades no momento da entrega do animal.

O fornecedor deverá apresentar atestado de vacinação em dia, assinado por médico-veterinário. Também deverá entregar ao comprador um guia com orientações sobre manejo e cuidados pós-venda.

A medida busca aumentar a segurança de quem compra um pet e, ao mesmo tempo, reforçar a responsabilidade de criadores e vendedores.

Com mais informações sobre a origem e as condições de saúde do animal, o comprador poderá ter mais elementos para avaliar a procedência do cão ou gato.

Projeto quer combater criadouros clandestinos

Para o senador Wellington Fagundes, a proposta pretende enfrentar o comércio clandestino de cães e gatos e diminuir uma espécie de área sem fiscalização adequada no setor.

“Foi exatamente para acabar com uma situação que ainda funciona como uma verdadeira zona cinzenta no Brasil. A criação e a comercialização clandestina de cães e gatos. Hoje, infelizmente, ainda existem animais mantidos em locais de insalubres, matrizes vendidas muito cedo, doentes ou sem qualquer garantia de origem”, justificou.

O parlamentar também defendeu regras mais claras para quem trabalha com criação e venda de animais.

“O nosso projeto, ele estabelece regras claras, portanto o criador comercial deverá ter registro, acompanhamento de médico veterinário, instalações adequadas e controle sanitário, os animais então terão identificação e rastreabilidade, o comprador deverá receber atestado de saúde e todas as informações necessárias para cuidar daquele cão ou gato”, explicou.

Criadores comerciais poderão ter de manter registro, acompanhamento veterinário e controle sanitário dos animais. Foto: divulgação/reprodução

Quando as novas regras podem entrar em vigor?

Por enquanto, não há aplicação imediata das regras previstas no PL 4.855/2026.

O projeto está em fase inicial de tramitação no Senado e aguarda despacho da Presidência da Casa. Depois disso, poderá seguir para a análise das comissões responsáveis.

Para se tornar lei, a proposta ainda precisará passar pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Depois, o texto aprovado deverá seguir para sanção presidencial.

Por isso, quem compra ou vende cães e gatos atualmente não precisa cumprir as exigências previstas no projeto apenas por causa da apresentação do PL.

Caso o texto seja aprovado e sancionado, entretanto, criadores e estabelecimentos do setor pet terão de se adaptar às novas regras. O descumprimento poderá resultar em sanções administrativas, multas e fiscalização por órgãos governamentais, conforme previsto na proposta.

O projeto, portanto, ainda pode sofrer mudanças durante a tramitação. A versão final das regras dependerá das análises e votações no Congresso.

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