Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Defesa Civil confirma primeira morte após ciclone-bomba no RS; vítima morreu durante temporal

Defesa Civil confirmou a primeira morte causada pelo ciclone-bomba no Rio Grande do Sul; fenômeno também provocou estragos em 11 estados. Foto: Ari Dias/AEN

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul confirmou, nesta sexta-feira, 7 de agosto, a primeira morte relacionada à passagem do ciclone-bomba pelo estado. O fenômeno também deixou cinco pessoas feridas, provocou danos em 118 municípios gaúchos e espalhou um rastro de destruição por 11 estados brasileiros, com registros de tornado, interrupção de serviços públicos, suspensão de aulas, paralisação de trens e operações portuárias afetadas.

A vítima fatal é um homem que morreu após um acidente na RS-124, no município de Montenegro, enquanto conduzia uma motocicleta. Conforme a Defesa Civil, as circunstâncias da ocorrência ainda são investigadas. As autoridades tentam esclarecer se uma árvore caiu sobre a pista no momento da passagem do motociclista ou se ela já estava caída quando o acidente aconteceu. Até o momento, a identidade da vítima não foi divulgada.

Entre os cinco feridos, um homem ficou preso em fios durante o vendaval em Novo Hamburgo. Segundo a Defesa Civil, o estado de saúde dele inspira mais cuidados. Outro ferido é um militar que foi atingido por um estilhaço enquanto permanecia dentro de uma viatura durante uma ocorrência em Osório. Já no município de Dom Feliciano, outras três pessoas sofreram ferimentos leves.

Segundo a diretora do Departamento de Gestão de Risco da Defesa Civil, Ana Maria Hermes, a maior parte dos danos registrados no estado foi provocada pela força dos ventos. Em menor escala, também houve ocorrências relacionadas à queda de granizo.

Tornado, vendaval e granizo marcaram a passagem do ciclone-bomba pelo Rio Grande do Sul. Foto: divulgação/reprodução

Impactos do ciclone-bomba no Rio Grande do Sul

Além das vítimas, o ciclone-bomba provocou destelhamentos, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia elétrica e diversos prejuízos em cidades gaúchas. O estado segue concentrando os impactos mais severos do fenômeno.

O avanço do sistema também provocou um tornado entre os municípios de Pedro Osório e Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul. O fenômeno, associado a uma supercélula formada pelo ciclone, arrancou telhados, derrubou árvores e deixou moradores sem energia elétrica.

Em Porto Alegre, rajadas de vento que chegaram a 120 km/h interromperam completamente a circulação da Trensurb após a queda de uma árvore sobre a rede aérea de alimentação elétrica. O serviço só foi totalmente restabelecido durante a madrugada.

Outros municípios gaúchos também registraram prejuízos. Houve alagamentos e danos em residências, escolas e prédios públicos em Uruguaiana, Erechim, Caçapava do Sul e Chuí. Já Fazenda Vila Nova e Bom Retiro registraram episódios de granizo.

Ciclone-bomba atinge outros estados brasileiros

Os efeitos do ciclone ultrapassaram as fronteiras do Rio Grande do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o alerta para vendavais permaneceu válido para 11 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.

No Rio de Janeiro, a previsão de rajadas superiores a 90 km/h levou o governo estadual e a prefeitura da capital a recomendarem a antecipação do encerramento do expediente para atividades não essenciais. As aulas da rede pública foram suspensas e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) cancelou as atividades presenciais em todos os campi. A cidade entrou em Estágio 2, enquanto a Defesa Civil disparou alertas por celular orientando a população a evitar deslocamentos e permanecer em locais seguros.

Em São Paulo, várias cidades do litoral também suspenderam as aulas como medida preventiva. Entre elas estão Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Bertioga e Itanhaém. A Defesa Civil paulista chegou a emitir alerta vermelho para a faixa centro-sul e o litoral devido ao risco de ventos de até 100 km/h. Em Itanhaém, foram registradas rajadas de 97,2 km/h, enquanto Mongaguá registrou ventos de 90 km/h.

Os ventos também afetaram o transporte marítimo na Baixada Santista. As travessias de balsa entre Ilhabela e São Sebastião e entre Santos e Guarujá registraram filas e tempo de espera de aproximadamente uma hora.

Forte rajada de vento forte atinge a Av. Interlagos, na zona sul de São Paulo — Foto: (Marco Ambrosio/AtoPress/Agência O Globo) São Paulo

No Porto de Santos, as operações de navegação precisaram ser interrompidas por cerca de uma hora e meia devido às dificuldades para manobra das embarcações. Posteriormente, as atividades foram retomadas em regime de praticagem indireta, no qual os práticos orientam os comandantes remotamente, sem embarcar nos navios.

O que é um ciclone-bomba e as previsões futuras

O ciclone-bomba, também conhecido como ciclogênese explosiva, ocorre quando um sistema de baixa pressão sofre uma rápida intensificação, com queda mínima de 24 milibares em 24 horas. Esse processo normalmente acontece quando massas de ar muito frio encontram ar mais quente. No episódio atual, o sistema se formou sobre o Oceano Atlântico e ganhou força ao avançar sobre o Sul do Brasil.

Apesar dos estragos registrados, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que o sistema já se afastou do estado. Segundo a diretora Ana Maria Hermes, o pior momento já passou e o ciclone não representa mais ameaça significativa para a região. Ainda assim, os números de municípios atingidos, pessoas afetadas e danos materiais continuarão sendo atualizados ao longo do dia conforme novos relatórios forem enviados pelas prefeituras.

O Inmet, por sua vez, alerta que, após a passagem do ciclone, uma intensa massa de ar frio deverá provocar queda nas temperaturas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. As autoridades recomendam que a população evite permanecer próximo de árvores, postes, placas, fios elétricos e estruturas metálicas durante rajadas de vento. No litoral, a orientação é não entrar no mar nem permanecer em embarcações enquanto persistirem as condições adversas.

O post Defesa Civil confirma primeira morte após ciclone-bomba no RS; vítima morreu durante temporal apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads