Em 2001, o rock brasileiro vivia momentos de apogeu e tragédia: de um lado, o Rock In Rio III, em janeiro, que celebrou multidões em torno de grandes bandas internacionais e nacionais, de outro, mortes, acidentes e encerramento de carreiras. Veja como foi o “ano maldito” para o rock nacional.
Morte de Marcelo, Fromer, do Titãs
O guitarrista do Titãs, Marcelo Fromer, faleceu em 13 de junho de 2001, aos 39 anos, após passar dias internado em coma devido a um atropelamento sofrido em São Paulo. Ele foi atingido por uma motocicleta pilotada pelo motoboy
Erasmo Bernardo da Silva enquanto corria na Avenida Europa. O motociclista fugiu sem prestar socorro na ocasião.
Após a confirmação da morte encefálica, a família de Fromer respeitou sua vontade e autorizou a doação de seus órgãos, um gesto que beneficiou sete pessoas e impulsionou uma grande campanha nacional de conscientização sobre o tema na época.
A perda trágica do músico ocorreu no momento em que os Titãs se preparavam para iniciar as gravações do álbum A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana.
Acidente de Herbert Vianna
Em 4 de fevereiro de 2001, o vocalista e guitarrista dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna, sofreu um grave acidente enquanto pilotava um ultraleve em Mangaratiba, no Rio de Janeiro.
A aeronave, que levava o músico e sua esposa, a inglesa Lucy Needham Vianna, perdeu o controle e caiu no mar na altura da praia de São Brás. Lucy faleceu por afogamento no local, enquanto Herbert foi resgatado com vida, mas em estado extremamente crítico.
Anos mais tarde, investigações periciais e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmaram que a tragédia não foi causada por falha humana, mas sim por um defeito de fabricação na cauda da aeronave.
O acidente comoveu o país e deixou sequelas profundas no músico, que sofreu um grave traumatismo cranioencefálico e uma lesão na medula espinal. Herbert permaneceu internado por 44 dias, passando quase três semanas em coma.
Morte de Cássia Eller
Cássia Eller faleceu em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, vítima de um infarto agudo do miocárdio decorrente de uma cardiopatia preexistente e estresse físico, descartando as suspeitas iniciais de overdose após o laudo do IML.
Sua morte ocorreu no ápice absoluto de uma carreira marcada pela voz potente, ecletismo musical e uma presença de palco visceral que unia a MPB ao rock.
O grande divisor de águas dessa trajetória foi o aclamado Acústico MTV, gravado em 2001, que vendeu milhões de cópias e consolidou seu nome entre as maiores intérpretes do país com versões inesquecíveis de “Malandragem” e “O Segundo Sol”.
Outro momento histórico de sua consagração foi a lendária apresentação no Rock in Rio III, em janeiro de 2001, onde ela comandou uma plateia de quase 200 mil pessoas com uma energia arrebatadora.
Rodolfo Abrantes sai do Raimundos
Em junho de 2001, o rock nacional foi pego de surpresa com o anúncio da saída de Rodolfo Abrantes do Raimundos, no auge absoluto do sucesso da banda.
Vivendo um forte desgaste físico e emocional gerado pela rotina intensa e pelos excessos das turnês, o vocalista passou por uma profunda crise interna e por problemas de saúde.
O estopim para a sua decisão foi a sua conversão ao protestantismo; ao se tornar evangélico, Rodolfo percebeu que seu novo estilo de vida e suas crenças já não eram compatíveis com a rotina do grupo e com as letras de teor sexual e politicamente incorretas.
O desligamento provocou o rompimento imediato das relações entre Rodolfo e os demais integrantes. A banda chegou a interromper as atividades temporariamente, mas retornou dois meses depois com o guitarrista Digão assumindo em definitivo os vocais.
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