Uma ida ao estádio que deveria ser marcada pela emoção terminou em uma situação inesperada para uma família antes de um jogo da Série B. Um avô relatou que o neto, uma criança autista, foi impedido de entrar no Estádio Antônio Accioly, na última segunda-feira (27), por estar usando uma bermuda verde.
O caso aconteceu antes da partida entre Atlético-GO e Operário-PR. Segundo Francisco Ferreira da Silva, a criança esperava com ansiedade pelo momento de acompanhar o time, mas acabou barrada na entrada porque a cor da roupa teria sido associada ao rival Goiás.
Francisco afirmou que tentou explicar aos funcionários que a bermuda não tinha qualquer identificação de clube e informou sobre o autismo do neto, mas a entrada não foi liberada naquele momento.
“Hoje foi uma surpresa. Eu trouxe meu neto aqui, autista, para ver o jogo. A maior felicidade dele era assistir à partida, mas ele estava com um short esverdeado e foi barrado lá na entrada”, relatou o avô.
Segundo Francisco, diferentes responsáveis pelo acesso ao estádio foram chamados para tentar resolver a situação, mas a resposta inicial foi de que se tratava de uma determinação da organização.
“Tentei, chamaram o gerente, depois o subgerente, depois veio o tenente. Se o menino é autista, ele precisava assistir ao jogo, precisava interagir com as coisas. Mesmo assim, disseram que era uma ordem”, afirmou.
Para que o neto pudesse acompanhar a partida, o avô decidiu comprar uma nova bermuda, e voltou ao estádio.
“Se tivesse alguma coisa com futebol, eu daria razão. Eu não queria que meu neto fosse com uma camisa de outro time. Mas isso aqui não era roupa de time”, completou.
Assista:
Presidente do Atlético-GO pede desculpas
Após a repercussão do caso, o presidente do Atlético-GO, Adson Batista, afirmou que não tinha conhecimento da situação e pediu desculpas pelo episódio.
O dirigente explicou que a orientação de segurança do clube é impedir a entrada de materiais que façam referência direta a outros times, e não barrar torcedores apenas pela cor da roupa.
“Eu vou te falar uma coisa de fundo de coração: eu sou um homem de assumir responsabilidades. Eu nem sabia disso. Depois que fiquei sabendo, mandei liberar e um monte de gente entrou para dentro”, declarou Adson.
O presidente criticou a decisão de impedir a entrada por uma bermuda sem identificação de clube.
“A cor da roupa vai inviabilizar a entrada? Isso é um absurdo. O que não pode, para evitar briga, é entrar com camisa do Vila ou do Goiás aqui”, explicou.
Adson também ressaltou que a rivalidade entre os clubes de Goiânia não deve afetar a relação entre torcedores.
“Tem muitos amigos que torcem para o Goiás, muitos amigos que torcem para o Vila, e a gente é amigo. Eu não misturo as coisas”, disse.
O dirigente ainda reforçou o pedido de desculpas pelo ocorrido.
“Às vezes o cara não pode nem comprar uma roupa e não sabe nem por quê. Eu vi uma foto da mulher com camisa do Atlético e short verde. Isso é uma bobagem. Eu peço desculpas para qualquer pessoa, porque isso normalmente não partiu de mim”, completou.
Rivalidade entre Atlético-GO e Goiás motivou debate
O episódio ganhou repercussão por envolver uma das maiores rivalidades do futebol goiano. O verde é uma das principais marcas do Goiás, adversário histórico do Atlético-GO.
Segundo o clube, torcedores que estavam usando roupas verdes chegaram a ser impedidos inicialmente, mas a entrada foi liberada para evitar possíveis conflitos nos arredores do estádio.
O Atlético-GO afirmou que a regra de segurança tem como objetivo evitar a entrada de itens que identifiquem torcidas adversárias, mas reconheceu que uma roupa sem ligação com outro clube não deveria gerar esse tipo de situação.
O caso aconteceu antes do confronto entre Atlético-GO e Operário-PR, pela 20ª rodada da Série B, e levantou discussões sobre segurança, inclusão e o tratamento de torcedores nos estádios.
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