O torcedor do Paysandu provavelmente deixou o Estádio Carlos Zamith com uma sensação difícil de ignorar: o Papão mostrou, em diferentes momentos, que tinha condições de vencer o Amazonas, mas terminou derrotado por não conseguir sustentar aquilo que fez de melhor.
A derrota por 2 a 1, na noite do último domingo (26), pela 15ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, nasceu justamente dessa distância entre os dois times que o Lobo apresentou em campo ao longo da partida.
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O Papão saiu na frente logo aos dois minutos, com Lucas Cardoso, e teve um início capaz de indicar uma noite diferente. O atacante, aliás, foi o principal destaque bicolor, com nota 7,7, quatro finalizações e nove duelos vencidos. Além do gol, incomodou a defesa amazonense durante boa parte da partida.
Mas o gol cedo não trouxe tranquilidade. A Onça-Pintada respondeu aos 21 minutos, com Nicolás Schiappacasse, e recolocou o confronto em um cenário mais equilibrado. O problema para o Paysandu foi que, mesmo com 54% de posse de bola e 14 finalizações, a equipe não conseguiu transformar essa presença no jogo em oportunidades realmente claras.
O número que melhor ajuda a entender a derrota está na qualidade das oportunidades criadas. Mesmo com mais posse de bola e cinco finalizações no alvo, contra quatro do Amazonas, o Papão permitiu que o adversário construísse chances mais perigosas.
As finalizações do time da casa, somadas, representaram uma expectativa de gol maior do que as do Papão, sinal de que a Onça conseguiu chegar em condições mais favoráveis para marcar.
Ter a bola, portanto, não significou necessariamente controlar a partida. O Paysandu teve 368 passes contra 284 do Amazonas e ganhou mais duelos por baixo e por cima. Ainda assim, o adversário conseguiu levar o jogo para um território mais físico e direto, especialmente depois do intervalo.
É nesse ponto que aparece a distância entre o bom Paysandu e o time que acabou perdendo em Manaus. No primeiro tempo, o Lobo conseguiu competir e encontrar caminhos para atacar. No segundo, deixou de controlar o ritmo e passou a jogar mais tempo em reação.
A mudança aparece nos números. Na etapa final, o Amazonas ficou com 70% da posse de bola, enquanto o Paysandu teve apenas 30%. O time da casa também finalizou nove vezes, contra seis do Papão. A equipe bicolor ainda criou uma grande oportunidade e levou perigo, mas já não tinha a mesma capacidade de conduzir o jogo.
Foi justamente nesse cenário que veio o golpe decisivo. Aos 76 minutos, Schiappacasse converteu pênalti e virou a partida. O Paysandu ainda tentou responder com as entradas de Taboca, Thalyson, Henrico e Ítalo, mas as mudanças não foram suficientes para devolver ao time o controle que ele havia demonstrado em alguns momentos da partida.
O desempenho individual de Edílson, nota 7,6, mostra que o lado direito foi um dos caminhos mais produtivos do Papão. O lateral deu uma assistência, criou uma grande chance e terminou com três passes decisivos. Marcinho também teve atuação importante, com nota 7,5, cinco passes decisivos e 89% de acerto nos passes.
Lucas Cardoso foi o rosto da boa largada. Edílson e Marcinho foram importantes na criação. O problema é que os bons desempenhos individuais não se transformaram em uma atuação coletiva constante. O Paysandu teve jogadores capazes de desequilibrar, mas alternou momentos de organização com períodos em que permitiu ao Amazonas crescer.
E essa talvez seja a principal leitura deixada pela derrota. O Campeão dos Campeões não foi um time sem ideias, nem uma equipe completamente dominada. Pelo contrário: começou bem, saiu na frente, teve bons números individuais e encontrou maneiras – poucas – de incomodar o adversário.
Mas também não conseguiu sustentar esse desempenho. Depois do empate, perdeu parte da capacidade de impor o ritmo e terminou precisando buscar uma reação em um jogo que, durante boa parte do primeiro tempo, parecia totalmente possível de vencer.
Em uma Série C equilibrada, essa diferença pesa. O bom Paysandu apareceu em Manaus, mas não permaneceu em campo durante os 90 minutos. E foi justamente o time que perdeu força, deixou de controlar o jogo e passou a reagir que acabou voltando para Belém sem os pontos.
📊 Notas do Papão
- Marcão – 6.4
- Edilson – 7.6
- Carrerete – 6.8
- Bruno Bispo – 6.6
- Bonifazi – 6.6
- Pedro Henrique – 6.8
- Caio Mello – 6.9
- Marcinho 7.5
- Pablo Alcântara – 6.3 🔴
- Lucas Cardoso – 7.7 ⭐
- Juninho – 6.6
Substituições
- Luciano Taboca – 6.4
- Thalyson – 6.7
- Henrico – 6.6
- Ítalo – 6.6




