Em 2010, o futebol brasileiro tinha a sensação de estar diante de uma parceria destinada a marcar época. Neymar, então com apenas 18 anos, era o talento explosivo, irreverente e decisivo. Paulo Henrique Ganso, dois anos mais velho, era o cérebro da equipe, dono de uma visão de jogo rara, capaz de enxergar passes que poucos imaginavam.
Juntos, transformaram o Santos no time mais encantador do país e chegaram a ser apontados como a maior esperança da nova geração brasileira. A ausência da dupla na Copa do Mundo da África do Sul foi motivo de debates nacionais e alimentou a expectativa para os anos seguintes.
Neymar: uma carreira de altos e baixos
O tempo, porém, mostrou que o futebol dificilmente segue o roteiro imaginado. Neymar, hoje com 34 anos, construiu uma carreira que poucos brasileiros alcançaram. Foi campeão da Libertadores pelo Santos, brilhou no Barcelona formando o histórico trio MSN ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez, conquistou a Liga dos Campeões, tornou-se o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira e disputou quatro Copas do Mundo.
Ainda assim, a sensação que acompanha sua trajetória é contraditória: para muitos, o atacante entregou uma carreira extraordinária; para outros, ficou abaixo do jogador que parecia destinado a disputar o posto de melhor do mundo durante uma década. Lesões sucessivas, decisões de carreira discutidas e momentos extracampo impediram que transformasse talento em hegemonia, ficando mais próximo de um atleta de pôquer do que de futebol.
Ganso: talento prejudicado por lesões
Do outro lado, o paraense Ganso, hoje com 36 anos, viveu uma realidade completamente diferente. A grave lesão no joelho ainda nos primeiros anos de carreira alterou seu desempenho físico justamente quando o futebol mundial passou a exigir intensidade, velocidade e pressão constante. Cerebral, não perdeu o toque inteligente e a mentalidade à frente dos colegas em campo, mas o corpo não acompanha mais o ritmo frenético dos jogos de hoje.
Depois do Santos, passou pelo São Paulo, teve uma experiência discreta no Sevilla e um passagem relâmpago pelo Amirns, antes de reencontrar protagonismo no Fluminense, sendo peça importante nas conquistas da Libertadores de 2023 e da Recopa Sul-Americana. Mesmo assim, jamais voltou a ser aquele meia dominante que encantava o Brasil em 2010 e, atualmente, vive um momento de indefinição sobre o futuro da carreira, não fazendo mais parte dos planos do Flu e à procura de um clube.
Extremos de uma mesma geração
O curioso é que os dois representam extremos de uma mesma geração. Neymar alcançou praticamente tudo o que um jogador pode conquistar individualmente, mas carrega o peso da expectativa de ter sido apontado como sucessor natural de Messi e Cristiano Ronaldo.
Ganso, por sua vez, jamais teve números extraordinários, porém sempre foi lembrado pela elegância, inteligência e capacidade técnica acima da média. Ambos sofreram com lesões, mas elas tiveram impactos distintos: Neymar conseguiu atingir o auge antes das limitações físicas; Ganso perdeu justamente a explosão que fazia seu futebol parecer revolucionário.
Mais de 15 anos depois, a história da dupla serve como um retrato de como o futebol é imprevisível. Em 2010, muitos acreditavam que Neymar e Ganso dominariam o cenário mundial por uma década. Um chegou perto do topo, mas nunca ocupou definitivamente o trono. O outro precisou reinventar a própria carreira para continuar competitivo. Permaneceram vencedores, cada um à sua maneira, mas ficaram distantes da dinastia que o futebol brasileiro imaginava quando encantavam a Vila Belmiro.
Raio-X: Neymar
- Idade: 34 anos.
- Clubes: Santos, Barcelona, PSG, Al-Hilal e retorno ao Santos.
- Seleção Brasileira: Maior artilheiro da história.
- Copas do Mundo: 2014, 2018, 2022 e 2026.
- Principais títulos: Libertadores, Champions League, Mundial de Clubes, La Liga, Ligue 1, Copa do Brasil, ouro olímpico e Copa das Confederações.
Raio-X: Paulo Henrique Ganso
Principais títulos: Libertadores (2011), Copa do Brasil (2010), Sul-Americana (2012), Libertadores (2023) e Recopa Sul-Americana (2024) pelo Fluminense.
Idade: 36 anos.
Clubes: Santos, São Paulo, Sevilla e Fluminense.
Seleção Brasileira: Oito partidas pela equipe principal.
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