A tragédia envolvendo a morte de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, ocorreu na manhã de quarta-feira (22) no Centro de Educação Infantil Luz do Brás, unidade conveniada à Prefeitura de São Paulo. A criança teria permanecido com a cabeça presa por cerca de sete minutos em um vão existente em uma estrutura da creche, antes de ser percebida e retirada por funcionários.
O acidente aconteceu durante uma atividade recreativa. Segundo as informações divulgadas, Abdoulaye se aproximou de uma grade ou barra metálica instalada junto a uma parede e acabou encaixando a cabeça no espaço. Outras apurações apontam que a estrutura protegia um espelho fixado em uma sala multiuso. Imagens de câmeras de segurança deverão ajudar a esclarecer quanto tempo o menino permaneceu preso e se havia profissionais responsáveis pela supervisão naquele momento.
Investigação e atendimento médico
Após retirarem a criança, funcionários abordaram policiais militares que patrulhavam a região e já seguiam com o bebê em busca de atendimento. Abdoulaye foi levado à Unidade de Pronto Atendimento da Mooca, onde recebeu cuidados médicos, mas não resistiu. O Instituto Médico Legal deverá determinar a causa exata da morte, enquanto o Instituto de Criminalística analisa o local e a estrutura onde ocorreu o acidente.
A Polícia Civil instaurou inquérito no 8º Distrito Policial do Brás e registrou inicialmente o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Cinco profissionais da creche estão sob investigação, entre eles a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário. Os nomes não foram divulgados e ninguém havia sido preso até a publicação das informações.
Negligência e suporte à família
A investigação deverá apurar se houve negligência na vigilância das crianças e demora na prestação do socorro. O advogado da família questionou por que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ou o Corpo de Bombeiros não teriam sido acionados imediatamente após Abdoulaye ser encontrado preso. A defesa dos pais também pretende acompanhar o procedimento criminal e avaliar uma ação indenizatória.
O menino era filho de uma família senegalesa. O pai, comerciante que vive no Brasil há cerca de oito anos, utilizava a rede pública de educação infantil para poder trabalhar. A identidade da criança foi divulgada por veículos que acompanham o caso, mas imagens e informações familiares devem ser tratadas com cuidado diante da idade da vítima.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação lamentou a morte e informou que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem prestam suporte aos familiares. “As circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes”, declarou a pasta, que prometeu colaborar com a investigação e adotar as providências cabíveis após a conclusão da apuração.
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