As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros começaram a valer nesta quarta-feira (22), elevando o Brasil à condição de segundo país mais taxado pelo governo norte-americano, atrás apenas da China. A medida foi adotada após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas consideradas desleais por parte do Brasil.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão está relacionada a temas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, mercado de etanol e outras políticas comerciais brasileiras. O governo brasileiro, por sua vez, contesta as alegações e afirma que buscou negociar com as autoridades americanas antes da entrada em vigor das tarifas.
A sobretaxa atinge diversos produtos exportados pelo Brasil, especialmente dos setores de madeira, móveis, máquinas, cerâmica, calçados e açúcar. Embora milhares de itens tenham sido excluídos da medida, especialistas avaliam que a taxação pode reduzir a competitividade de empresas brasileiras no mercado americano e pressionar segmentos voltados à exportação.
O governo federal informou que continuará apostando na negociação diplomática para tentar reverter a decisão e, paralelamente, prepara medidas de apoio aos setores mais afetados. Entre as alternativas analisadas estão linhas de crédito e ações para ampliar mercados consumidores de produtos brasileiros, evitando, por enquanto, aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.
Veja os 8 produtos brasileiros mais afetados pelo tarifaço dos EUA
Quais os impactos para a economia brasileira?
O novo tarifaço deve afetar principalmente a indústria exportadora, responsável por milhares de empregos e parte importante da balança comercial do país. Entre os principais efeitos esperados estão:
- queda das exportações para os Estados Unidos;
- perda de competitividade frente a produtos de outros países;
- cancelamento ou adiamento de contratos internacionais;
- redução da produção industrial em alguns segmentos;
- risco de demissões, sobretudo em setores intensivos em mão de obra, como calçados e têxtil;
- menor entrada de dólares na economia brasileira;
- desaceleração de investimentos das empresas exportadoras;
- busca por novos mercados para compensar a perda de vendas aos EUA.
Especialistas avaliam, por outro lado, que alguns produtos destinados ao mercado americano podem permanecer no Brasil, aumentando a oferta interna e reduzindo a pressão sobre os preços para o consumidor. O maior impacto tende a recair sobre as empresas exportadoras e as regiões cuja economia depende fortemente das vendas para os Estados Unidos.
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