Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Clonagem de voz e vídeos falsos: veja como proteger os idosos dos golpes com IA

Idosos entram na mira de golpistas que usam inteligência artificial; saiba como evitar fraudes

O avanço da Inteligência Artificial (IA) tem tornado os golpes virtuais mais sofisticados e difíceis de identificar, especialmente entre idosos. Criminosos têm utilizado recursos como clonagem de voz, vídeos falsos e mensagens com aparência convincente para aplicar fraudes financeiras e roubar dados pessoais. Diante desse cenário, a principal recomendação é redobrar a atenção e sempre verificar a origem das informações antes de tomar qualquer decisão.

Como identificar golpes de IA

Segundo o especialista em cibersegurança Rômulo Albuquerque, conteúdos manipulados por IA ainda podem apresentar falhas perceptíveis. “Alguns vídeos mostram distorções, como a boca que não acompanha o som, pouca movimentação dos olhos, pele com aspecto artificial ou sombras que não seguem o movimento da cabeça. Já a voz pode ter um tom metálico ou robótico”, explica.

Apesar disso, ele alerta que as ferramentas estão cada vez mais avançadas. “Hoje já existem tecnologias que conseguem confundir facilmente. Por isso, também surgem soluções para identificar esse tipo de conteúdo, como marcas d’água invisíveis inseridas por plataformas de IA, que podem ser detectadas por ferramentas específicas”, acrescenta.

Táticas comuns dos criminosos

Outro golpe comum envolve a clonagem de voz para se passar por familiares. Com poucos segundos de áudio, criminosos conseguem simular a fala de uma pessoa conhecida. Nesses casos, a orientação é não agir por impulso. “Ao receber uma ligação ou mensagem pedindo dinheiro, o ideal é confirmar diretamente com a pessoa, de preferência por outro meio. Nunca se deve fazer transferências sem essa verificação”, reforça Rômulo.

Uma estratégia adicional pode ser a criação de uma “senha familiar”. “Combinar uma palavra-chave entre parentes pode ajudar a confirmar a identidade em situações suspeitas”, sugere o especialista.

Os criminosos também se aproveitam de informações disponíveis na internet. Dados expostos em redes sociais ou vazamentos são utilizados para aplicar golpes mais elaborados. “Com essas informações, eles conseguem até falsificar documentos e tentar abrir contas ou solicitar empréstimos em nome da vítima”, alerta.

Medidas de segurança e prevenção

Entre os principais cuidados, está evitar o compartilhamento de informações sensíveis. Senhas, códigos de verificação, como os enviados por aplicativos de mensagem, e dados bancários nunca devem ser informados por telefone ou internet. “A senha é pessoal e intransferível. Nenhuma instituição séria solicita esse tipo de dado por ligação ou mensagem”, destaca.

Antes de realizar um Pix ou atender a pedidos urgentes, é fundamental checar a autenticidade. “Desconfie sempre de mensagens com senso de urgência, como prazos curtos ou ameaças de multa. Golpistas usam isso para pressionar a vítima”, afirma.

Medidas simples também ajudam a aumentar a segurança, como o uso de bloqueio de tela no celular, ativação da verificação em duas etapas e instalação de aplicativos apenas de lojas oficiais. Outra dica é evitar identificar contatos com termos como “mãe”, “pai” ou “filho”, o que pode facilitar a ação de criminosos em caso de acesso indevido ao aparelho. Na identificação, use o nome e sobrenome das pessoas mesmo que sejam familiares próximos.

Crescimento dos golpes e perfil das vítimas

O avanço dos golpes com uso de Inteligência Artificial no Brasil já acende um alerta entre autoridades e especialistas. Dados recentes da Polícia Federal, divulgados em 2026, apontam que a tecnologia já está presente em 4 a cada 10 fraudes financeiras no país. Levantamentos na área de cibersegurança mostram ainda que o uso de IA generativa em golpes cresceu 89% no mundo, enquanto os crimes voltados ao roubo de identidade digital dispararam 300%, impulsionados pela facilidade de acesso a ferramentas de clonagem de voz e manipulação de imagens e vídeos.

Apesar da percepção de que idosos são os principais alvos, os dados mostram um cenário mais amplo. Uma pesquisa do DataSenado, com quase 22 mil entrevistados, revela que os jovens entre 16 e 29 anos concentram a maior fatia das vítimas, com 27%. Pessoas com mais de 60 anos aparecem em seguida, com 16%, enquanto as demais faixas etárias ficam na casa dos 20%. O levantamento também indica que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos já foram vítimas de algum tipo de golpe digital, o que representa mais de 40 milhões de pessoas afetadas financeiramente por crimes cibernéticos no país.

Para Rômulo Albuquerque, o maior desafio ainda é a falta de informação. “Os golpes evoluem rapidamente, então ninguém está totalmente imune. O mais importante é manter a cautela, desconfiar de situações incomuns e, em caso de dúvida, pedir ajuda”, orienta.

8 dicas para evitar cair nos golpes com IA

O post Clonagem de voz e vídeos falsos: veja como proteger os idosos dos golpes com IA apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads