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Pesquisas colocam o Pará como referência em inovação com a floresta em pé

Com atuação da UFPA e do Instituto Evandro Chagas, o conhecimento produzido no Estado transforma a biodiversidade amazônica em inovação, renda e proteção à vida, evidenciando que a floresta amazônica não guarda apenas riquezas naturais. Também abriga respostas para alguns dos maiores desafios do planeta, da emergência climática ao surgimento de novas doenças. No Pará, universidades, institutos científicos, comunidades tradicionais e cadeias produtivas começam a demonstrar que é possível gerar desenvolvimento com a floresta em pé.

UFPA: Inovação e Bioeconomia na Amazônia

Um dos principais centros dessa transformação é a Universidade Federal do Pará (UFPA), que figura entre as instituições com maior produção científica dedicada à Amazônia. Seus pesquisadores atuam no desenvolvimento de medicamentos, cosméticos, bioplásticos, biofertilizantes e novos materiais, além de prestar apoio técnico a produtores, cooperativas e comunidades.

“A bioeconomia é transversal na UFPA, presente em áreas como Biologia, Engenharias, Ciências Agrárias e também nas Humanidades”, explica o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da instituição, Filipe Saraiva. Essa integração permite que conhecimentos transmitidos por gerações sejam estudados e aprimorados pela ciência. É o caso da andiroba, tradicionalmente utilizada pelas populações amazônicas por suas propriedades anti-inflamatórias e hoje pesquisada como matéria-prima para medicamentos, cosméticos e insumos industriais.

Laboratórios da Universidade também desenvolvem bioplásticos, sabonetes e outros produtos com compostos da floresta. Resíduos antes descartados, como o caroço do açaí e subprodutos do cacau, passaram a ser aproveitados em pesquisas voltadas à criação de novos materiais e tecnologias. É a chamada sociobioeconomia: um modelo que combina inovação, conservação ambiental e geração de renda para quem vive na região.

A UFPA ainda participa de parcerias com instituições como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), aproximando a biodiversidade amazônica de plataformas avançadas de pesquisa. Iniciativas como o programa Amazônia +10, coordenado no Estado pela Fapespa, ampliam os investimentos e a participação de cientistas amazônidas em projetos de inovação, bioeconomia e transição energética.

Instituto Evandro Chagas: Referência em Saúde Pública

Se a UFPA ajuda a transformar a biodiversidade em desenvolvimento, o Instituto Evandro Chagas (IEC) faz do Pará uma referência histórica em saúde pública e medicina tropical. Fundado em 1936, em Belém, para estudar a leishmaniose visceral, o instituto expandiu sua atuação e tornou-se estratégico no enfrentamento de doenças que atingem a Amazônia e outras regiões do mundo.

O IEC mantém uma das mais importantes coleções de vírus tropicais e acumula pesquisas sobre arbovírus transmitidos por insetos, como dengue, zika, chikungunya, febre amarela e mayaro. Esse conhecimento contribui para identificar agentes infecciosos, compreender sua circulação e orientar ações de vigilância e prevenção.

O Instituto Evandro Chagas também participou de pesquisas epidemiológicas e ensaios relacionados à vacina contra o rotavírus, doença que pode causar quadros graves de diarreia e desidratação, especialmente em crianças pequenas. O imunizante passou a integrar o Programa Nacional de Imunizações e tornou-se uma importante ferramenta de proteção da infância.

Há quase 90 anos, o Instituto Evandro Chagas transforma pesquisas realizadas na Amazônia em proteção para populações do Brasil e de outros países. Entre Os principais marcos dessa trajetória está ligada à criação do IEC, que contribuíram para esclarecer a leishmaniose visceral. Os estudos realizados na região ajudaram a esclarecer a transmissão da doença, seus vetores e reservatórios, abrindo novos caminhos para a medicina tropical brasileira.

Com laboratórios de biossegurança e sequenciamento genético, o instituto acompanha a circulação e as mutações de agentes infecciosos. Esse trabalho permite identificar ameaças sanitárias e orientar medidas de prevenção antes que surtos alcancem maiores proporções.

O IEC também investiga a presença de mercúrio em peixes e populações ribeirinhas, especialmente nas áreas atingidas pelo garimpo. Os resultados ajudam a dimensionar os riscos à saúde e dão suporte à proteção das comunidades amazônicas.

Atualmente, o IEC combina a tradição da pesquisa de campo com laboratórios de biossegurança e tecnologias de sequenciamento genético. A estrutura permite acompanhar a circulação e as mutações de vírus, ajudando a identificar riscos sanitários antes que surtos locais ganhem maiores proporções. Essa vigilância torna-se ainda mais importante diante do desmatamento, das mudanças climáticas e do avanço humano sobre ambientes naturais.

Ao aproximar conhecimento tradicional, pesquisa científica e tecnologia, o Pará mostra que a floresta vale mais quando permanece viva. Das descobertas sobre doenças tropicais aos produtos desenvolvidos com frutos, óleos e resíduos amazônicos, a ciência feita no Estado protege vidas, movimenta a economia e oferece ao mundo um modelo de desenvolvimento com identidade regional.

É um Pará que conhece suas raízes, investe em inteligência e transforma a maior biodiversidade do planeta em motivo de orgulho — sem precisar derrubar a floresta para construir o futuro.



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