A influenciadora trans brasileira Suellen Carey, de 38 anos, decidiu expor uma realidade vivida por ela: a assinatura de um contrato de confidencialidade (conhecido no meio jurídico como NDA) para poder se relacionar com um jogador de futebol.
Segundo a criadora de conteúdo, o documento não era uma opção, mas sim uma condição inegociável imposta pelo atleta para que os encontros entre os dois continuassem acontecendo. Na prática, o acordo funcionava como um blindagem total, proibindo que qualquer detalhe sobre o envolvimento deles viesse a público.
Proibições iam além do nome e do rosto
Lidar com a privacidade é comum para figuras públicas, mas Suellen detalha que as cláusulas do documento iam muito além de simplesmente omitir a identidade do jogador. O contrato proibia a divulgação de fotos, mensagens, capturas de tela, locais dos encontros e qualquer elemento visual que servisse como pista.
“É um contrato de confidencialidade que determinava tudo o que eu poderia mostrar, contar ou revelar sobre a relação. Eu não poderia publicar fotos, mostrar mensagens, comentar os encontros com outras pessoas ou confirmar que nós tínhamos algum tipo de envolvimento”, explica a influenciadora.
A influenciadora contou ainda que as regras iam além do esperado. Segundo ela, o documento também impedia a divulgação de roupas, objetos, partes do corpo ou ambientes que pudessem associar o jogador ao relacionamento, além de proibir entrevistas, comentários nas redes sociais e o compartilhamento de informações com terceiros.
“Não bastava esconder o nome ou o rosto dele. Eu não poderia mostrar uma mão, uma camisa, o lugar onde estivemos ou qualquer detalhe que levasse alguém a descobrir quem era. Também não poderia revelar que ele se relacionava com uma mulher trans“, relatou.
Após tornar pública a experiência, Suellen disse que mudou sua forma de enxergar esse tipo de acordo. Para ela, preservar a privacidade de um relacionamento é diferente de esconder a identidade ou a história de uma das pessoas envolvidas.
“Hoje, eu não assinaria novamente um contrato para proteger alguém que tem vergonha de assumir com quem se relaciona. Ninguém deveria precisar apagar a própria história para esconder a sexualidade ou os desejos de outra pessoa”, concluiu, deixando um alerta importante sobre amor-próprio e liberdade nas redes sociais.
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