O maestro, arranjador e saxofonista Irupê Teixeira Rodrigues morreu na última terça-feira (14), aos 82 anos, deixando um legado que marcou a história da música brasileira. Reconhecido por criar a identidade sonora que impulsionou o Raça Negra no início dos anos 1990, ele incorporou metais e influências internacionais que ajudaram a definir o pagode romântico.
Além da contribuição ao grupo, Irupê construiu uma carreira de destaque como músico. Ele passou pelo The Jordans, um dos principais nomes do rock instrumental brasileiro dos anos 1960 e participou da fundação da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus). Durante uma passagem por Londres, chegou a encontrar John Lennon e Ringo Starr.
Abramus destaca legado de Irupê para a música brasileira
Ao anunciar a morte do artista, a Abramus destacou sua importância para a música brasileira.
“É com imensa dor que nos despedimos do mestre, maestro, arranjador e multi-instrumentista Irupê Teixeira Rodrigues. Figura central na história da música brasileira, o artista revolucionou o pagode romântico dos anos 80, e deixa um legado eterno para a música e para a Abramus”, publicou a entidade.
Na homenagem, a associação também ressaltou o impacto de sua trajetória. “Sua partida deixa uma lacuna irreparável. O sopro de seu saxofone, sua genialidade e sua dedicação à classe artística continuarão ecoando na trilha sonora da música brasileira”, afirmou a publicação.
Carreira começou na infância e passou pelo The Jordans
Nascido em Presidente Epitácio (SP), Irupê iniciou a trajetória musical ainda criança. Aos 8 anos, criou o grupo Los Rodrigues ao lado dos irmãos. Seis anos depois já tocava tuba e trompete. Após a mudança da família para São Paulo, aprendeu saxofone, instrumento que acompanharia toda a sua carreira.
Mais tarde, aos 17 anos, entrou para a banda The Rebels e, posteriormente, integrou o The Jordans, onde tocava saxofone e trompete. Inspirado no grupo The Jordanaires, que acompanhava Elvis Presley, o conjunto tornou-se um dos maiores representantes do rock instrumental brasileiro na década de 1960. O projeto chegou a lançar diversos discos em 78 rpm, LPs e compactos.
Com o encerramento das atividades do The Jordans, em 1974, Irupê passou a gravar, excursionar e trabalhar com artistas como Manolo Otero, Leandro & Leonardo, Sergio Reis, Ronnie Von e Alexandre Pires. Foi também na casa de shows Stardust que conheceu a cantora Cissa (Maria Cecilia Rocha), que acompanhou o início de sua parceria com o Raça Negra.
O arranjo que mudou o pagode romântico
Em entrevista à Abramus, Cissa contou que, no começo dos anos 1990, Luiz Carlos e Fernando, dois jovens da Zona Leste de São Paulo, procuraram Irupê levando uma fita com músicas para apresentar às gravadoras.
Como era o único músico profissional do projeto, o maestro criou arranjos inspirados em referências como Earth Wind and Fire. Ele incorporou teclado, metais e instrumentos pouco utilizados no samba da época, criando uma sonoridade inédita para o grupo.
Segundo Cissa, essa proposta deu origem ao estilo que consagrou o Raça Negra.
“Eu costumo dizer que, como músico e arranjador, o Irupê vestiu de gala o pagode paulista e o levou para o Brasil e para o mundo”, afirmou.
Irupê não teve uma participação pontual no Raça Negra. Como maestro, saxofonista e arranjador do grupo, foi o responsável pela construção sonora de alguns dos maiores sucessos da carreira. Entre eles estão É Tarde Demais, Caroline, Que Pena e Cheia de Manias. Veja:
A nova sonoridade abriu espaço para o pagode nas rádios FM e contribuiu para o surgimento de outros grupos do gênero.
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