Nossa Senhora do Pilar, padroeira de Curuçambaba, em Cametá, região do Baixo Tocantins, será reverenciada neste domingo, 12, a partir das 17h, durante a 137ª edição do Círio Terrestre, que irá percorrer as principais ruas da vila, com homenagens, reflexões e cânticos.
Com o tema “Com Maria do Pilar, Jesus veio morar entre nós” e o lema “E o verbo se fez carne” (Jo. 1,14), o Círio atrai muitos fiéis para a vila. A aposentada Rosalvina Duarte Faial, residindo atualmente em Belém, é uma delas, e mesmo morando na capital não esquece as origens e a devoção à Nossa Senhora do Pilar.
“Minha infância e adolescência sempre foram nessa abençoada Vila de Curuçambaba, sou devota fervorosa de Nossa Senhora do Pilar, hoje estou em Belém, mas nunca esqueci minhas raízes. Vou todos os anos acompanhar o Círio e agradecer nossa rainha do Tocantins por tantos milagres alcançados por nossa mãe. O mais recente foi a aprovação da minha querida filha em concurso. Só agradecer e louvar nossa mãezinha do Céu”, disse a aposentada.
Programação da Festividade do Pilar
A festividade do Pilar começou no dia 09/07, às 19h, com missa solene e a descida da imagem. No dia 10, às 08h, foi a vez de reverenciar a santa no 17º Círio Rodoviário, que saiu do Trevo da PA-467, percorrendo 19 km até a Igreja Matriz. Neste sábado, 11, às 08h, a Imagem de Nossa Senhora do Pilar irá visitar os doentes na Ilha Jacaré Xingu e às 15h, acontece a missa do 32ª do Círio das Águas, que percorre o Rio Tocantins com previsão de chegada ao Trapiche da Vila de Curuçambaba às 17h30, e em frente à Igreja receberá as homenagens e seguirá em procissão luminosa até o Grupo de Evangelização Santa Luzia, localizado na Rua São Pedro.
“Desde a primeira edição do Círio Fluvial, de 1993 até 2007, havia um revezamento entre as ilhas daqui do distrito de Curuçambaba, que recebia a santa. A partir de 2008 até 2025, tirando dois anos de pandemia que não teve, ficou fixo na sede do município de Cametá em alguma localidade. Esse ano o Círio retorna a ilha jacaré Xingu, onde saiu o primeiro círio fluvial”, disse Gleiton Melo Rodrigues, historiador e coordenador da Guarda de Nossa Senhora do Pilar.
No dia 19 de julho, às 18h, a comunidade celebra o Círio das Crianças e no dia 02/08, às 18h, o vilarejo realiza a procissão do Recírio, saindo da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Rua São Miguel. A procissão encerra mais um ano de festividade em homenagem à Nossa Senhora do Pilar.
Reconhecimento e Origem da Devoção
A Festividade de Nossa Senhora do Pilar foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do povo cametaense pela Lei n° 462 de 23 de setembro de 2024, e busca ser reconhecida por lei como Patrimônio da Cultura do Estado do Pará. O projeto tem iniciativa do historiador Gleiton Melo Rodrigues.
“No dia 30 de novembro de 2025, a nossa comunidade foi elevada à Paróquia Nossa Senhora do Pilar. Esse também será o primeiro festejo organizado como Paróquia, tendo à frente o nosso pároco, padre Clodomir Aquino, que vem buscando essa união entre as comunidades. Uma união muito mais participativa e ativa das comunidades no festejo de Nossa Senhora do Pilar, tanto que trouxe o Círio para uma comunidade aqui da ilha, para que todas as comunidades possam participar, trazer seus barcos, não só no Círio Fluvial, mas também como no terrestre, que requer essa participação, essa união”, falou Gleiton.
Devoção
A devoção à Nossa Senhora do Pilar tem origem na Europa. Gleiton Melo Rodrigues explica que, de acordo com a tradição cristã, o apóstolo São Tiago estava em Zaragoza, perto do Rio Ebro, na Espanha, quando Maria, mãe de Jesus, que ainda era viva e morava na Terra Santa, apareceu para ele em cima de um pilar de mármore, rodeada de anjos, e disse-lhe para construir uma capela para sua veneração, desaparecendo em seguida. São Tiago, então, começa a construção da Igreja para Nossa Senhora do Pilar.
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