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“Só tem ladrão”: xenofobia contra o Pará toma conta das redes sociais

A prisão de um homem natural do Pará, investigado por um assalto em Blumenau, em Santa Catarina, provocou uma onda de comentários xenofóbicos nas redes sociais. Após a divulgação do caso, internautas passaram a associar o crime aos paraenses de forma generalizada, reproduzindo mensagens ofensivas e preconceituosas contra pessoas do estado.

Entre as publicações compartilhadas estavam frases como “Só tem ladrão”, “Os caras atravessam o país para cometer crimes aqui” e “Objetivo: não ter preconceito com paraense. Obstáculo: os paraenses”. Os comentários rapidamente repercutiram e reacenderam o debate sobre a xenofobia enfrentada por moradores da Região Norte, especialmente aqueles que vivem ou trabalham nos estados do Sul do Brasil.

Embora o suspeito seja paraense, atribuir a prática de um crime à origem geográfica de uma pessoa configura discriminação e reforça estereótipos prejudiciais. A Constituição Federal garante que todos os brasileiros têm direito de viver, trabalhar e circular livremente pelo território nacional, sem sofrer discriminação por sua origem.

O caso

De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, o crime aconteceu no fim da tarde do dia 5 de abril, na Rua Professor Jacob Ineichen, no bairro Itoupavazinha, em Blumenau.

Sob chuva, uma mulher deixava o trabalho quando foi abordada por um homem armado. O suspeito exigiu o dinheiro do caixa do estabelecimento, mas, como a vítima não possuía o valor solicitado, roubou o celular, aproximadamente R$ 380 em dinheiro e documentos pessoais antes de fugir.

Durante as investigações, a polícia identificou o autor do crime e descobriu que ele havia chegado a Blumenau poucos dias antes, vindo do Pará. No dia seguinte ao assalto, viajou para Florianópolis e, posteriormente, retornou ao Pará, acreditando que a distância dificultaria sua localização.

Após o trabalho conjunto das forças de segurança, o investigado foi localizado e preso em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, a mais de 2 mil quilômetros de Blumenau.

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Xenofobia contra paraenses

O episódio também trouxe à tona uma realidade vivida por muitos paraenses que migram para outras regiões do país em busca de trabalho, estudo ou melhores oportunidades. Nas redes sociais, não é incomum que crimes praticados por indivíduos naturais do Pará sejam utilizados como justificativa para ataques contra toda a população do estado.

Esse tipo de generalização caracteriza xenofobia interna, quando brasileiros sofrem discriminação por sua origem regional. Além de disseminar preconceitos, esse comportamento ignora que a responsabilidade por um crime é individual e não pode ser atribuída a milhões de pessoas que compartilham a mesma origem.

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