Os gregos acreditavam que algumas melodias eram belas demais para desaparecer. Diziam que, quando a música encontrava a perfeição, deixava de pertencer aos homens para morar entre os deuses. Foi assim com a LYRA. Conta a mitologia que Hermes, ainda menino, encontrou a carapaça de uma tartaruga e, sobre ela, esticou cordas capazes de transformar o silêncio em encanto.
Mais tarde, a lira chegou às mãos de Apolo e, depois, foi entregue a Orfeu, cujo talento fazia árvores caminharem, pedras se moverem e rios alterarem o curso apenas para ouvir uma canção. Quando Orfeu partiu deste mundo, Zeus recusou-se a deixar que tamanho esplendor fosse consumido pelo tempo. Ordenou que a lira fosse erguida aos céus, transformando-a na constelação LYRA, onde até hoje repousa como um poema desenhado na noite.
E todas as vezes que o verão aquece o hemisfério norte, ela ressurge com um brilho especial. Pequena em tamanho, imensa em beleza, a constelação parece uma joia suspensa sobre o mundo. No seu coração resplandece Vega, uma das estrelas mais luminosas do firmamento, vértice do célebre Triângulo de Verão, companheira de Deneb e Altair na coreografia silenciosa do universo. É uma constelação discreta, mas impossível de ignorar. Como acontece com tudo aquilo que possui luz própria.
As duas estrelas da LYRA
Talvez seja por isso que Monção tenha escolhido, sem perceber, outra maneira de fazer a LYRA se destacar. Não no céu, dessa vez, e sim entre pessoas. Ali, duas de suas estrelas brilham em perfeita harmonia: chamam-se Liana Pinto e Rita Rousseau. Há apenas quatro meses, uniram talento, experiência e amizade para fundar em Portugal a agência LYRA. O nome nasceu das iniciais de ambas, mas parece ter sido escolhido muito antes, talvez naquela antiga noite em que Zeus decidiu eternizar a música entre as estrelas. Porque há nomes que não são inventados; apenas aguardam o momento certo para acontecer.
Liana conhece Monção como quem conhece o próprio coração. Nascida em Angola, chegou ainda criança à terra dos seus antepassados. Cresceu entre as ruas da vila, viu a mãe lecionar às novas gerações, depois estudou em Lisboa, percorreu outras cidades, acumulou experiências, mas jamais rompeu o delicado fio da saudade que sempre a conduzia de volta ao Alto Minho.
Hoje, observa um movimento que a emociona: muitos dos jovens que, como ela, partiram para estudar em outras cidades ou países, regressam para investir, criar empresas, abrir restaurantes, fortalecer o turismo, valorizar a gastronomia e devolver prosperidade à terra que os viu nascer e crescer. É um renascimento semelhante às videiras, que parecem adormecer no inverno apenas para florescer novamente quando chega o tempo certo.
Rita Rousseau, lisboeta, encontrou em Monção outra forma de pertencimento. Há mais de duas décadas cruza caminhos profissionais com Liana. Trabalharam juntas, aprenderam juntas, cresceram juntas. A cumplicidade transformou-se em sociedade e, hoje, ambas conduzem a LYRA com a serenidade de quem compreende que comunicar é muito mais do que divulgar acontecimentos. É construir pontes entre pessoas, lugares e emoções.
Foi pelas mãos dessas duas profissionais que o DIÁRIO NA EUROPA participou, pelo segundo ano consecutivo, da Feira do Alvarinho. Há festas que terminam quando as luzes do palco se apagam. Esta se prolonga muito depois, guardada na memória como permanece o aroma de um grande vinho verde. A sua 29ª edição aconteceu entre 2 e 5 de julho.
Instalada no Parque das Caldas, abraçada pelo rio Minho e pelas muralhas da vila, a Feira do Alvarinho deixou de ser apenas uma festa do vinho para tornar-se uma celebração da identidade de Monção. Trinta e nove produtores apresentaram ao público a excelência do Alvarinho de Monção e Melgaço, enquanto a gastronomia desfilava sabores que contam a história da região: o tradicional Cordeiro à Moda de Monção (também conhecido como Foda à Monção), o Bacalhau à Monção pelas mãos do chef Vítor Sobral, o imponente Costeletão do Solar de São Pedro, os mariscos vindos de Vigo e tantas outras experiências capazes de transformar cada refeição em uma sabososa memória.
A música ocupou o céu da mesma forma que as estrelas ocupam a noite. Xutos & Pontapés, Sinfonia Eletrônica, Os Vizinhos, Quim Barreiros e Tony Carreira, reafirmaram que essa é a maior wine party (festa do vinho) de Portugal. Mas havia ainda a roda-gigante refletindo luzes sobre o rio, os espaços dedicados às crianças, os grupos folclóricos preservando a memória popular, os DJs prolongando a festa noite adentro, as harmonizações entre gastronomia e Alvarinho, os novos espaços de convívio e, sobretudo, aquela hospitalidade que não cabe em nenhum programa oficial. Porque Monção é uma terra que não recebe visitantes: acolhe amigos que ainda não conhecia.
Quando a alma repousa com delicadeza
Foi também pelas mãos de Liana e Rita que percorremos lugares onde a alma da região repousa com delicadeza: a elegância do The Vinea Collection Hotel, entre vinhas e montanhas; a autenticidade do Restaurante Monte da Mina; a serenidade da aldeia histórica de Ponte de Mouro; a imponência do Palácio da Brejoeira, onde história e vinho caminham lado a lado; e o sossego acolhedor do Recanto de Moulães, onde a natureza parece conversar em voz baixa com o tempo.
Cada visita carregava a mesma assinatura invisível: organização impecável, sensibilidade, profissionalismo e um raro talento para transformar informação em experiência. No fim, compreendi que os antigos gregos estavam certos: há instrumentos que continuam emitindo sons mesmo quando ninguém lhes toca as cordas. E a LYRA permanece suspensa sobre as noites de verão porque representa algo maior do que um simples conjunto de estrelas.
Representa a certeza de que a beleza encontra sempre um caminho para permanecer. E, neste verão europeu, enquanto Vega continua iluminando o céu de Monção, outras duas estrelas ajudam a iluminar a Terra. Não o fazem com explosões de luz, mas com inteligência, delicadeza, competência e uma comunicação capaz de aproximar pessoas, contar histórias e transformar destinos.
Talvez tenha sido exatamente por isso que os deuses decidiram consagrar a LYRA entre as constelações: para lembrar aos homens que a verdadeira comunicação, quando nasce da sensibilidade e da harmonia, deixa de ser apenas palavra e se transforma em música. E segue derramando, pelos caminhos do sucesso, uma melodia que o tempo se encarrega da eternizar.
*Sérgio Augusto do Nascimento é um jornalista paraense que vive em Portugal. Já foi repórter e editor e hoje é correspondente do DIÁRIO na Europa.
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