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Michelle Bolsonaro surpreende ao exaltar política criada pelo governo Lula

Ex-primeira-dama classificou como “um sonho realizado” a nova política de educação bilíngue para surdos apresentada pelo governo Lula.

A inclusão de estudantes surdos ganhou um apoio inesperado nesta sexta-feira (3). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro classificou como “um sonho realizado” a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação (MEC) no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela não citou diretamente Lula na publicação.

A manifestação ocorreu em meio ao agravamento da disputa pública entre Michelle e o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nas redes sociais, a ex-primeira-dama destacou a iniciativa voltada à comunidade surda, uma das principais bandeiras de sua atuação pública, e afirmou que a medida representa a concretização de uma reivindicação histórica.

“Punhalada” do enteado

O elogio de Michelle ocorre poucos dias depois de ela anunciar a saída da presidência do PL Mulher, em 30 de junho. A decisão aprofundou a crise com Flávio Bolsonaro, a quem acusou de tê-la “desrespeitado” e “maltratado” durante divergências sobre decisões partidárias. Ela também afirmou ter recebido uma “punhalada” do enteado.

Flávio declarou que não teve intenção de ofendê-la e pediu desculpas caso isso tenha ocorrido. “Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, afirmou o senador. Michelle não participou do encontro promovido por ele com lideranças femininas conservadoras em Brasília, na quarta-feira, 1º de julho.

Entenda a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos

A nova política busca assegurar oferta qualificada, acesso, permanência e êxito escolar aos estudantes atendidos pela educação bilíngue. Nesse modelo, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é adotada como primeira língua, enquanto o português escrito é ensinado como segunda língua, respeitando as características linguísticas e culturais da comunidade surda.

O lançamento foi realizado no auditório do MEC, em Brasília. Durante a cerimônia, o ministério também anunciou um edital para selecionar artigos acadêmicos produzidos por pesquisadores surdos e ouvintes que estudam a educação bilíngue. Os trabalhos escolhidos integrarão os Cadernos Equidade, publicação desenvolvida em parceria entre a Unesco e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi).

Episódio ocorre em meio à disputa familiar

A educação bilíngue de surdos foi incorporada como modalidade da educação escolar brasileira pela Lei nº 14.191, sancionada em 3 de agosto de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro. A política apresentada agora pelo MEC estabelece diretrizes nacionais para transformar a previsão legal em ações articuladas com estados, municípios e o Distrito Federal.

O episódio também ocorre enquanto o grupo bolsonarista tenta conter os efeitos da disputa familiar sobre a pré-campanha de Flávio e sua aproximação com o eleitorado feminino.

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