A procura de brasileiros por medicamentos controlados sem prescrição médica ultrapassou a marca de 2 milhões de buscas na internet nos últimos 12 meses, segundo levantamento da plataforma de telemedicina “Olá Doutor”. O estudo revela um crescimento do interesse por medicamentos para emagrecimento, saúde mental e tratamento do TDAH, acendendo um alerta sobre os riscos da automedicação.
O levantamento analisou pesquisas realizadas no Google com expressões como “sem receita”, “vende sem receita” e variações semelhantes, identificando os medicamentos mais procurados por pessoas que tentam adquirir produtos cuja venda depende de prescrição médica.
No topo do ranking aparece a sibutramina, indicada para o tratamento da obesidade, responsável por quase 27% de todas as buscas entre os dez medicamentos analisados. Em seguida aparecem as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, que, somadas à sibutramina, registraram cerca de 220 mil pesquisas no período.
A popularização desses medicamentos ganhou novo impulso após a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do registro da Ozivy, primeira concorrente nacional do Ozempic, ampliando o debate sobre tratamentos para obesidade e diabetes.
Além dos medicamentos voltados ao emagrecimento, o levantamento aponta um crescimento expressivo da procura por remédios destinados à saúde mental. As buscas envolvendo Sertralina, Ritalina e Venvanse, sem receita médica, somaram aproximadamente 86 mil pesquisas, o equivalente a 22,8% do universo analisado.
Segundo Anderson Zilli, CEO da plataforma Olá Doutor, o fenômeno pode refletir tanto o aumento da demanda por tratamentos quanto as dificuldades enfrentadas pela população para conseguir consultas e acompanhamento especializado.
“Quem busca medicamentos controlados sem receita está, muitas vezes, tentando resolver um problema de saúde da forma mais rápida que conhece. O caminho mais seguro continua sendo a avaliação por um profissional habilitado”, afirma.
Automedicação preocupa especialistas
O levantamento lembra que a automedicação continua sendo um hábito comum entre os brasileiros. Dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) apontam que nove em cada dez brasileiros já recorreram à prática em algum momento da vida.
O estudo também cita estimativas segundo as quais a automedicação está relacionada a cerca de 20 mil mortes por ano no país, consequência de intoxicações, interações medicamentosas, efeitos adversos e uso inadequado de medicamentos sujeitos a controle especial.
Especialistas alertam que medicamentos como Ozempic, Mounjaro, sibutramina, antidepressivos e psicoestimulantes exigem acompanhamento médico contínuo, tanto para definir a indicação correta quanto para monitorar possíveis efeitos colaterais e contra indicações.
Pará já apresentou alto índice de consumo sem prescrição
Embora o novo levantamento não divulgue um ranking por estados, o Pará já apareceu em pesquisas anteriores sobre automedicação. Um estudo do ICTQ mostrou que Belém figurava entre as capitais brasileiras com maior consumo de medicamentos controlados sem receita, com cerca de 24% dos entrevistados admitindo utilizar remédios de tarja vermelha ou preta sem prescrição médica, índice acima da média nacional registrada na época.
Na ocasião, representantes do setor farmacêutico atribuíram o problema a fatores como a cultura da automedicação, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e desafios de fiscalização em um estado de grandes dimensões territoriais.
Para especialistas, o cenário reforça a necessidade de ampliar o acesso à atenção básica, às consultas médicas e ao acompanhamento especializado, especialmente em estados da Região Norte, onde a distância entre municípios e a distribuição desigual dos serviços de saúde ainda representam obstáculos para parte da população.
Como foi feito o levantamento
O estudo da plataforma Olá Doutor analisou pesquisas realizadas por usuários brasileiros no Google ao longo dos últimos doze meses, utilizando expressões relacionadas à tentativa de compra de medicamentos “sem receita”. A partir desses dados, foi elaborado um ranking dos medicamentos mais frequentemente associados a esse tipo de busca.
O post Busca por medicamentos controlados sem receita médica supera 2 milhões na internet apareceu primeiro em Diário do Pará.






