Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Terremoto na Venezuela: crianças têm mais chances de sobrevivência sob escombros

A chance de encontrar pessoas com vida sob escombros diminui a cada hora após um terremoto. Foto: Ilustração criada por IA

A chance de encontrar pessoas com vida sob escombros diminui a cada hora após um terremoto. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que as primeiras 24 horas são decisivas para os resgates e que crianças e bebês têm mais chances de serem encontrados com vida por conta de seu tamanho reduzido, que permite acomodação em pequenos espaços de ar.

Boa parte dos resgates é feita nas primeiras 24 horas após o desastre. Após 7 dias, a possibilidade de encontrar um sobrevivente cai para 5%. Mesmo assim, há casos de pessoas tiradas de edifícios destruídos depois de muito mais tempo.

‘No [terremoto de 2010 do] Haiti, por exemplo, encontraram pessoas vivas 12 dias depois, porque se formam os bolsões que chamamos de ‘espaço vital isolado’, onde a pessoa consegue sobreviver’, afirmou Léo Farah em entrevista ao g1.

Tamanho facilita resgate de crianças

Crianças e bebês se acomodam em pequenos espaços de ar por serem menores que adultos. Essa característica aumenta as chances de sobrevivência e torna o resgate mais rápido.

‘Um adulto, por exemplo, tem uma possibilidade maior de ficar preso nos escombros que uma criança. Além disso, justamente por causa do seu tamanho, o resgate de uma criança ou bebê é mais fácil. Isso porque podemos retirar a criança em um espaço menor e com mais facilidade. A criança tem uma maior maleabilidade e, por isso, os resgates nessas situações são mais rápidos’, explicou Léo Farah.

O especialista ressalva que adultos extremamente preparados podem ter vantagem. ‘É lógico que, se a gente estiver falando de um adulto extremamente preparado, que consegue ter um raciocínio e um instinto de sobrevivência maior, ele vai ter uma chance natural maior’, disse.

Água é mais crucial que comida

O corpo consegue sobreviver um tempo sem comida se tiver água. A falta de água, por outro lado, leva a acúmulo de resíduos e insuficiência renal. A desidratação provoca efeitos graves no corpo até ele parar de funcionar e pode levar à hipertermia.

‘Você precisa de água para fazer funcionar o metabolismo basal. Nossa produção de energia deixa ‘lixo metabólico’, resíduos que são ácidos e tóxicos e que precisam ser excretados. E como isso acontece? À medida que você dilui esses resíduos em água. Se não tem essa água para fazer essa diluição, você acaba tendo um acúmulo e entrando em insuficiência renal’, explicou Carlos Eduardo Pompilio, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

A perda de enzimas pode causar coagulação do sangue nos vasos sanguíneos. O calor dificulta a conservação de água no corpo. As regiões mais atingidas pelo tremor registram temperaturas na casa dos 27ºC desde quarta-feira, enquanto a temperatura do corpo é de 37ºC.

Como o corpo reage à privação de alimentos

O corpo estoca energia em fígado, músculos e tecido adiposo. Em privação de alimentos, os estoques do fígado acabam primeiro. Depois disso, o corpo retira energia das gorduras para produzir corpos cetônicos, que passam a abastecer o cérebro depois de 2 semanas.

Paralelamente, proteínas são retiradas dos músculos e transformadas em glicose. O corpo vai se autoconsumindo para garantir energia ao cérebro. Ocorrem perda de peso, massa muscular, fraqueza, anemia e inchaço.

‘A alimentação é muito importante. Ela faz com que você tenha substrato energético para poder viver, reproduzir suas células, contrair seus músculos. O combustível do organismo é a glicose e nós temos essa reserva, tiramos energia de vários meios. Conseguimos nos virar em condições sem alimentos, mas sem a água não conseguimos isso’, afirmou Carlos Eduardo Pompilio.

Crianças têm menor reserva energética

Crianças e bebês possuem menor reserva energética e maior gasto energético. O estômago de recém-nascido ou bebê é bem menor que de adulto. A digestão do leite materno é feita de forma mais rápida em recém-nascidos, e bebês precisam comer a cada 2 a 4 horas no início da vida.

‘E a gente precisa lembrar que, quanto menor a criança, como bebês até um ano e recém-nascidos, temos um baixo estoque de glicogênio [a principal reserva de energia nas células animais]. E à medida que ele vai caindo, vai gerando mais estresse na criança’, disse Lívia Aguiar.

O post Terremoto na Venezuela: crianças têm mais chances de sobrevivência sob escombros apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads