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domingo, março 30, 2025
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Superação: ele viveu em situação de rua, passou na UFPA e quer lançar um livro

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Recomeçar diante de tantas dificuldades pode parecer impossível, mas com apoio é possível transformar sonhos em realidade. Foi com esse pensamento que Walmerinston Paixão Corrêa, após quase cinco décadas longe da escola e vivendo em situação de vulnerabilidade social nas ruas de Belém, decidiu dar um novo rumo à sua vida.

Acolhido pela rede estadual de ensino, ele retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), programa coordenado pela Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc). Com dedicação, Walmerinston conquistou em 2025 uma vaga na Universidade Federal do Pará (UFPA). Hoje, aos 64 anos e matriculado no curso de Letras, seu maior sonho é tornar-se professor e lançar um livro.

Para o secretário de Estado de Educação do Pará, Rossieli Soares, a EJA é uma modalidade de ensino de extrema importância na vida de pessoas como Walmerinston. “A EJA é uma iniciativa fundamental. Meu pai também foi beneficiado pelo programa e não teria aproveitado tantas oportunidades na vida se não fosse por ele. É gratificante acompanhar histórias como a do meu pai, a do Walmerinston e de tantos outros que enfrentaram seus medos e abraçaram a educação, independentemente da idade”.

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A primeira escola a acolher Walmerinston foi a Escola Estadual Gregório de Almeida Brito, no bairro do Maguari, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, onde ele concluiu as primeiras etapas do Ensino Fundamental. Em seguida, estudou na Escola Estadual Luiz Nunes Direito, no bairro do Coqueiro, onde finalizou o Ensino Médio. Retornar à sala de aula após tantos anos foi desafiador, mas, segundo ele, valeu cada esforço.

“Passei 46 anos fora da escola e senti os impactos disso. Saí do 8º ano aos 17 anos e, por estar nas ruas, era julgado de forma errada. Sempre fiz pequenos trabalhos, mas as pessoas me viam como um bandido, um viciado. A escola foi onde meu horizonte começou a se abrir novamente. No início, senti vergonha por estar ao lado de jovens atualizados, e tive dificuldade para assimilar os conteúdos. Nem esperava ser aprovado na universidade, pensava em tentar outra vez com mais calma”.

Durante os anos em situação de rua, Walmerinston enfrentou diversos desafios que o levaram a buscar uma mudança de vida. “Decidi mudar por conta das humilhações diárias. Quando eu dava uma opinião sobre algo, ouvia coisas como ‘o que tu sabes, se nem estudas?’ ou ‘esse aí quer ser o que não é’. Isso me machucava muito. Então comecei a recolher livros do lixo e a estudar por conta própria. Isso foi essencial para minha aprovação”, relembrou.

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Para Walmerinston, a conquista de uma vaga na UFPA, uma das universidades mais concorridas do país, representa um verdadeiro presente. Ele não hesita em exaltar a importância da EJA. “A escola é o lugar certo. Ela renova o espírito e o conhecimento é um tesouro. Quem quer mudar de vida precisa voltar a estudar, porque a educação abre portas. A EJA é um projeto sério e, mesmo não sendo fácil voltar a estudar depois de adulto, vale a pena. É o caminho para o recomeço”.

Estudo

Histórias como a de Walmerinston são comuns entre os estudantes da Educação de Jovens e Adultos, mas cada trajetória é única. Para a Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), a jornada de Walmerinston reforça o papel transformador da educação.

“O senhor Corrêa passou 20 anos nas ruas, mas decidiu voltar a estudar e concluiu o Ensino Médio conosco. Ele pegava livros no lixão para estudar, pois ainda sobrevive catando recicláveis. Para nós, é emocionante ver sua conquista. A escola pública tem um papel social muito maior do que apenas transmitir conhecimento: ela deve ressignificar vidas e dar oportunidades. A história de Walmerinston é um exemplo disso”, destacou a coordenadora da CEJA, Ana Cláudia Neves.

Ela ressaltou ainda que a história dele reflete os esforços do Estado para melhorar a educação pública. “Nosso objetivo é criar oportunidades, motivar alunos e proporcionar um futuro mais digno através da educação. O senhor Corrêa é um orgulho para nós e para toda a rede pública de ensino do Pará”.

Ansioso para iniciar as aulas na UFPA, Walmerinston compartilhou suas expectativas e planos para a nova fase. “Estou muito animado para o primeiro dia de aula. Quero aproveitar cada oportunidade, aprender, conhecer pessoas e mostrar que a sarjeta não é o fim. A escola é o caminho para recomeçar. Quando me formar, finalmente terei uma profissão regulamentada. Quero ser professor e isso vai mudar minha vida”.

Para ele, a EJA representa um verdadeiro resgate social. “Eu achava que mudanças assim só aconteciam com outras pessoas, mas está acontecendo comigo. A escola transforma uma sociedade. Se não houver investimento na educação, não deixaremos um legado positivo para o futuro”.

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