O que era para ser apenas mais uma audiência criminal terminou marcado por constrangimento. Durante sessão por videoconferência realizada em 2024, o juiz de Direito Cristiano Cesar Ceolin, da 1ª Vara de Mairiporã (SP), repreendeu uma testemunha ao interpretar como riso uma condição facial que a impede de fechar completamente a boca. As imagens do episódio só vieram a público agora.
Ao tentar confirmar se a depoente o escutava, o magistrado passou a questionar a expressão da mulher: “Tá dando risada por quê? Tem alguma coisa engraçada aqui? A senhora está achando graça de alguma coisa?”. Em seguida, insistiu: “Tá dando risada por quê? Tem alguma coisa engraçada?”.
Segundo informações divulgadas pelo portal Migalhas (https://www.migalhas.com.br/quentes/450205/ta-rindo-do-que–juiz-confunde-condicao-facial-de-testemunha-com-riso), a defesa apresentou laudo médico esclarecendo que Fátima Francisca do Rosário, 61 anos, empregada doméstica, possui biprotrusão maxilar — condição que projeta os lábios para frente e pode transmitir aparência de sorriso mesmo em repouso.
O documento técnico detalha que “as arcadas dentárias tanto superior quanto inferior se encontram avançadas, além disso a paciente apresenta oclusão classe 3, o que em conjunto com a deformidade impede um correto fechamento da boca, fazendo com que a paciente não apresente fechamento labial”. O caso reacende o debate sobre sensibilidade, preparo e cautela na condução de audiências virtuais, especialmente quando aspectos físicos podem ser interpretados de forma equivocada.
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