Eventos de rua, festas populares e áreas turísticas costumam atrair uma grande quantidade de vendedores ambulantes oferecendo bebidas e comidas rápidas. Entre as opções mais populares está a tradicional caipirinha preparada na hora. No entanto, com o aumento do fluxo de turistas em praias e grandes eventos, um velho conhecido das autoridades voltou a acender o alerta: o chamado “golpe da caipirinha”.
A fraude mistura extorsão, intimidação e distração, e pode transformar um momento de lazer em um prejuízo de centenas ou até milhares de reais. O esquema costuma ocorrer em regiões movimentadas e se aproveita justamente do clima descontraído de quem está curtindo o passeio.
Diferente de um furto comum, o golpe da caipirinha é baseado principalmente em extorsão. O criminoso aborda a vítima de forma simpática e insistente, oferecendo a bebida por um preço aparentemente muito barato — às vezes por valores como R$ 10 ou até como uma “cortesia de boas-vindas”. A oferta costuma parecer vantajosa e rápida, o que leva muitas pessoas a aceitar sem questionar.
Depois que a bebida é consumida, surge a surpresa desagradável. O vendedor apresenta uma conta com valores muito superiores ao combinado. Em alguns casos, afirma que o preço anunciado era apenas pelo limão, pelo copo ou pelo preparo, enquanto a bebida alcoólica e o serviço teriam custos adicionais que podem chegar a centenas de reais.
Se a vítima questiona ou se recusa a pagar, entra em cena a fase mais perigosa do golpe. O ambulante costuma contar com comparsas próximos que cercam o cliente e passam a fazer pressão ou ameaças para forçar o pagamento, geralmente exigindo transferência via Pix ou uso do cartão.
Maquininha adulterada
Além da cobrança abusiva, há também outras variações do golpe. Uma delas envolve a chamada “maquininha adulterada”. O criminoso digita um valor muito maior do que o combinado — por exemplo, R$ 1.000 em vez de R$ 10 — ou utiliza aparelhos com visor quebrado ou coberto para impedir que a vítima veja o valor real da cobrança.
Em situações mais graves, especialistas alertam para o risco da bebida ser adulterada com substâncias sedativas, prática conhecida popularmente como “boa noite, Cinderela”. Nesse caso, a vítima pode ser dopada e ter pertences, celulares e até senhas bancárias roubados.
Para evitar cair nesse tipo de golpe, especialistas em segurança recomendam algumas medidas simples. A primeira é desconfiar de ofertas excessivamente baratas feitas por vendedores desconhecidos. Sempre que possível, é importante exigir um cardápio ou tabela de preços antes de aceitar qualquer bebida ou produto.
Outra orientação fundamental é conferir atentamente o visor da maquininha antes de realizar qualquer pagamento. Caso o aparelho esteja danificado, ilegível ou o vendedor tente impedir a visualização do valor, a recomendação é cancelar a compra imediatamente.
Evitar ambulantes
Também é aconselhável dar preferência a bares, quiosques ou vendedores identificados, evitando ambulantes que circulam em áreas muito cheias oferecendo produtos sem qualquer referência ou preço claro. Acompanhar o preparo da bebida também ajuda a reduzir o risco de adulteração.
Caso a pessoa se torne vítima de extorsão, a orientação é não reagir para evitar confrontos. O ideal é procurar o policiamento mais próximo ou registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia. Se houve pagamento por cartão ou transferência via Pix, o banco deve ser acionado imediatamente para tentar bloquear ou reverter a transação.
Em tempos de festas, praias cheias e eventos populares, o velho conselho continua atual: atenção redobrada nunca estraga a diversão — e, no caso da caipirinha, pode evitar que a conta venha muito mais salgada do que o esperado.
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