O mercado global de viagens corporativas inicia 2026 com perspectivas positivas, ainda que sob cautela diante de riscos econômicos e geopolíticos. É o que revela a pesquisa trimestral divulgada pela Global Business Travel Association (GBTA), que aponta que 59% dos entrevistados demonstram otimismo em relação ao desempenho do setor ao longo do ano.
O sentimento favorável se repete em diferentes regiões do mundo e é reforçado pela expectativa de estabilidade ou crescimento no volume de viagens: 82% dos respondentes acreditam que as viagens corporativas devem aumentar ou, pelo menos, se manter nos mesmos patamares registrados em 2025.
O estudo ouviu fornecedores e clientes com atuação global, regional, multirregional, nacional e local, oferecendo um panorama amplo do setor. Apesar do cenário positivo, o levantamento mostra que o otimismo é moderado por fatores que preocupam o mercado, principalmente o risco de alta de preços acima dos orçamentos corporativos e a crescente complexidade envolvendo fronteiras, vistos e autorizações de entrada em diferentes países, em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas.
Na América Latina, a tendência acompanha o movimento global: 61% dos respondentes da região demonstram otimismo e expectativa de crescimento no número de viagens corporativas em 2026, embora também adotem postura prudente diante de um cenário econômico e operacional mais desafiador.
Oportunidades e desafios na gestão de viagens corporativas
Para Aline Bueno, CEO da Argo Solutions, empresa de tecnologia, gestão de despesas e viagens corporativas, os dados indicam uma oportunidade relevante para o amadurecimento do segmento na região. “Na América Latina, muitas empresas ainda não exploram todo o potencial da gestão de viagens corporativas. Quando bem estruturada, ela contribui diretamente para a tomada de decisão e permite que as viagens sejam avaliadas a partir do impacto real que geram para o negócio”, afirma.
Em um contexto de orçamentos historicamente mais pressionados, a possível elevação no volume de deslocamentos vem acompanhada da preocupação de que tarifas aéreas, hospedagens e demais custos avancem em ritmo superior ao dos budgets empresariais. “O desafio não está apenas em gastar menos, mas em gastar melhor.
Por isso, a adoção de tecnologias que ampliem a visibilidade dos gastos, reduzam custos e simplifiquem processos torna-se cada vez mais necessária”, acrescenta a executiva. A pesquisa também destaca a inteligência artificial como um dos principais desafios e oportunidades para o setor.
O impacto da Inteligência Artificial no setor de viagens
Embora exista amplo reconhecimento sobre o potencial transformador da tecnologia na gestão de viagens corporativas, sua aplicação ainda é considerada incipiente e concentrada, principalmente, na geração de relatórios e análises históricas.
Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados avaliam que a IA terá impacto moderado em suas atividades até 2030, enquanto 27% acreditam em uma transformação significativa do setor impulsionada pelo avanço tecnológico, indicando que a digitalização e o uso estratégico de dados devem ganhar protagonismo nos próximos anos.
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