A periferia brasileira já viu histórias de jovens que se tornaram símbolos de notoriedade, seja por motivos bons e outros nem tanto. No Rio de Janeiro, a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha deixou mais de 120 mortos e 81 presos, e entre eles está Penélope, conhecida como Japinha do CV (Comando Vermelho).
O caso, amplamente divulgado nas redes sociais, faz lembrar de outro regional: no Pará, Andreza Ariani Castro de Sousa, a Senhorita Andreza, cuja vida também se cruzou com o sentido do “sem embaçamento”, como ela mesma expressava. À época, quando as redes sociais ainda não eram amplamente utilizadas como atualmente, Andreza também chegou a viralizar.
Japinha do CV
Japinha do CV era apontada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como uma das principais combatentes do Comando Vermelho. Ela atuava na proteção de rotas de fuga e na defesa de pontos estratégicos de venda de drogas. Imagens que circularam nas redes sociais mostram que a jovem foi atingida por um tiro de fuzil na cabeça enquanto permanecia em uma das ruas da comunidade, sem conseguir se deslocar para a área de mata onde dezenas de corpos foram encontrados.
Senhorita Andreza e a vida “sem embaçamento”
Já a trajetória de Andreza, moradora do bairro da Cabanagem, por sua vez, se tornou pública em janeiro de 2016, quando um vídeo seu convidando para uma festa regada a bebida e drogas viralizou. Dois dias depois, ela foi detida em casa com seu companheiro, Huanderson Ferreira Santos, conhecido como Andinho.
Na delegacia fez piadas, riu, mandou recado para os “fãs” e anunciou: “foi cancelada a social”. Antes disso, o convite era o seguinte:
“Vamo beber um chopp, cheirar uma ‘coca’ na manha, sem embaçamento. É… Sem embaçamento. ‘Piriquita’? Vai ter muita! Só as despintadas. Os cara doido? Também. Vão tudo comparecer. Campinho pra legalizar a erva da Jamaica porque tem que ter (sic)”, disse em vídeo.
Na residência, a polícia encontrou petecas de maconha que estariam prontas para serem vendidas, cocaína e munição para armas, além de materiais odontológicos que Andreza planejava utilizar em atendimentos em sua própria casa. Ela relatou à época: “Eu mesma troco a ‘liguinha’ do meu aparelho. É fácil. Ia começar a fazer isto para outras pessoas”.
Andreza tinha uma filha pequena e passou quase um mês presa no Centro de Reeducação Feminino (CRF), em Ananindeua. “É muita humilhação ali dentro. Eu fiquei 25 dias lá, se eu peguei dois dias de sol foi muito”, desabafou em entrevista na época.
Sua popularidade, no entanto, só cresceu, transformando-a em meme e em figura de repercussão nas redes sociais. O publicitário e pesquisador Thiago Favacho, autor do artigo “’Senhorita Andreza’: trajetória, sentidos e (re)construções no ciberespaço”, explica: “Embora muitas pessoas tenham qualificado a moça como ‘bandida’, o vídeo gravado pela ‘senhorita’ caiu nas graças do povo, fazendo com que Andreza ganhasse a simpatia de muitas outras pessoas e se tornasse uma espécie de personagem e meme”.
Após sair da prisão, Andreza participou de festas, trabalhou como manicure e se candidatou a vereadora de Belém. O evento contou com desfiles, concursos de funk e muita música, foi realizado em uma festa de aparelhagem em uma casa de shows da cidade; apesar da campanha, Andreza, candidata do PCdoB, conseguiu apenas 789 votos e não foi eleita.
Mais tarde, testemunhou o assassinato do próprio marido, ele foi morto após sair de uma festa de aniversário e o luto carregou a jovem até sua morte, na noite do dia 13 de abril de 2017, quando foi encurralada e executada.
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