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segunda-feira, março 16, 2026

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Erro primário derruba o Leão

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Foto: Raul Martins (Ascom Remo)

Uma falha individual impôs ao Remo sua terceira derrota na Série A, ontem, diante do Coritiba, no estádio Couto Pereira (Curitiba). Até acontecer o lance fatal, a partida era equilibrada. O time da casa não levava perigo, apesar de ter mais posse de bola. O descuido do lateral Sávio gerou o lance decisivo, finalizado pelo ex-azulino Pedro Rocha.

Em termos gerais, a atuação azulina foi consistente e até superior em muitos momentos. O ataque teve boa presença, principalmente no 2º tempo, com boas investidas de Alef Manga, Vítor Bueno e Jajá.

Um aspecto não pode ser relativizado. O Remo sofre os efeitos do desentrosamento, problema que derruba qualquer equipe, principalmente numa competição do nível da Série A. Na partida deste domingo, a desorganização foi atenuada pelo esforço individual e o posicionamento dos jogadores.

O primeiro momento agudo do jogo foi o gol de Pedro Rocha, aos 23 minutos. Até então o Coritiba tinha dificuldades para agredir a última linha do Remo. 

O gol nasceu da insistência de JP Chermont em cima de Sávio. O lateral esquerdo tinha o domínio da bola, podia ter recuado para Marlon, mas chutou em cima de JP. O atacante recuperou a posse e cruzou para Pedro Rocha, que estava desmarcado dentro da área.

Outro lance favorável ao Coxa ocorreu aos 41’, em novo cruzamento de JP Chermont. O meia Sebastián Gómez desviou no canto inferior direito, mas Marcelo Rangel foi nela e evitou o gol. A defesa da semana na Série A.

Ao contrário do confronto com o Fluminense, quando não conseguia trocar passes nem em seu campo, o Remo foi mais dinâmico na saída rumo ao ataque. Méritos de Zé Ricardo, Vítor Bueno e Manga, que se movimentavam bastante, dando opções aos homens de frente.

Uma baixa importante na virada para o 2º tempo: João Lucas, que atuava bem, se lesionou e foi substituído por Marcelinho. No reinício da partida, Alef Manga aproveitou um passe longo e ganhou a disputa com a zaga e o goleiro Pedro Rangel. Finalizou para o gol, mas o lance foi desmarcado por impedimento.

Vítor Bueno acertou um chute forte da entrada da área, mas o goleiro espalmou. O Coritiba ameaçou em cobrança de falta que gerou passe para Pedro Rocha. O camisa 32 tentou um voleio, mas falhou e a bola ficou com Marcelo Rangel. 

O confronto era extremamente equilibrado, com o Remo ameaçando em ações com Jajá, Pikachu (que substituiu Patrick) e Marcelinho, que acertou um belo chute aos 34’.

Após manobra pelo lado esquerdo, Sebastián Gómez recebeu dentro da área e acertou um chute cruzado, que Marcelo Rangel defendeu e botou para escanteio. A última tentativa do Remo foi em cobrança de falta. Vítor Bueno disparou com perigo, por cima do travessão.

A apresentação do Remo agradou, mas a falha de Sávio evidenciou uma   desatenção que não pode ser tolerada na Série A. No meio da etapa final, Zé Ricardo e Pikachu também se distraíram em lances na intermediária, gerando contra-ataques insinuantes do Coxa.

Time mostra evolução, mas precisa de ajustes 

Léo Condé admitiu nesta semana que os desafios serão imensos. Pode-se dizer que o técnico trabalhou duro para corrigir os erros coletivos, mas cometeu um equívoco grave. Manteve Patrick no time depois da fraca apresentação no 2º tempo diante do Fluminense.

O elenco tem outros jogadores em condições de exercer a função de segundo volante com mais eficiência de Patrick, cuja lentidão compromete qualquer investida mais ágil. Voltou a ser peça decorativa em campo.

Um outro aspecto importante tem a ver com as escolhas. Sávio, definitivamente, não só pelo erro que provocou o gol, segue preso demais ao ritmo da Série B. Diante de adversários qualificados, o jogo começa a ser decidido com acerto nos passes e na distribuição.

Por outro lado, enquanto o entrosamento não vem, o time continua a depender muito de Marcelo Rangel. Ontem, ele operou de novo pequenos milagres. Foi assim no cabeceio de Gómez e depois no arremate que o meia fez nos minutos finais.

O tempo conspira contra. O Remo precisa vencer e Léo Condé terá que acelerar os ajustes. No meio da semana, um adversário ainda mais desafiador pela frente: o Flamengo de Léo Jardim, no Maracanã.

Pagani, um zagueiro que jogava de terno

O craque Pagani foi reverenciado em excelente matéria do nosso caderno Bola, edição de ontem, de autoria de Sérgio Nascimento. Nada mais justo. É sempre importante destacar os bons. Ele passou pouco tempo no futebol paraense, ficando apenas dois anos no Clube do Remo, mas foi o suficiente para cravar seu nome na história.

Chegou em 1986 e tomou conta da zaga azulina, abrindo caminho para um período de grandes conquistas do clube e quebrando um jejum de seis temporadas sem títulos.

Foi capitão por absoluto merecimento, quando os capitães eram escolhidos por hierarquia técnica. Vindo do futebol paulista, Pagani mostrou a grandeza de seu futebol logo nos primeiros jogos. A origem como lateral-esquerdo contribuiu, segundo ele, para o encaixe perfeito na zaga. 

Dos poucos zagueiros do nosso futebol capaz de tratar a bola com indisfarçável intimidade. Como se dizia nos primórdios, Pagani jogava de terno, sem exagero. Matava a bola com destreza e fazia ela deslizar, domada, até os pés.

Fazia lançamentos longos com a mesma perfeição como driblava – sim, ele sabia driblar – e distribuía passes curtos com habilidade. Impressionou pelo futebol diferenciado num tempo rico em bons zagueiros por aqui.

Foi eleito com inteira justiça para a seleção dos melhores do futebol paraense. Todo esse prestígio esteve sempre acompanhado de uma humildade impressionante. São poucas entrevistas com o Pagani jogador, justamente porque seu brilho estava mesmo com a bola nos pés. 

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