Há poucos meses, representantes do eixo Sudeste questionavam a capacidade de Belém receber a COP30. Havia quem defendesse transferir parte da programação para o Rio de Janeiro, considerado “mais preparado” em termos de estrutura e hospedagem. Agora, às vésperas dos encontros internacionais que antecedem a conferência, a capital fluminense é destaque na mídia global por um motivo trágico: uma megaoperação policial que deixou ao menos 121 mortos, dezenas de feridos, 81 presos e paralisou a cidade, transformando suas favelas em palco de guerra.
O contraste é gritante. Enquanto Belém finaliza os ajustes logísticos para sediar o maior evento climático do planeta, o Rio viveu cenas descritas como “de guerra” por veículos estrangeiros. O jornal britânico The Guardian classificou a ação no Complexo do Alemão e da Penha como a mais letal da história da cidade e relatou o uso inédito de drones com explosivos pelo crime. A agência Reuters destacou que a operação ocorreu “dias antes da cúpula global C40 e do Prêmio Earthshot do príncipe William”, lembrando que o Rio costuma realizar ações policiais de grande porte antes de eventos internacionais.
A repercussão se espalhou pela Europa e América Latina. O espanhol El País apontou um “caos colossal” às portas da COP30 e ressaltou que a violência é “extraordinária até mesmo para os cariocas”. O francês Le Monde descreveu “imagens incontestáveis de horror”, com corpos espalhados e moradores tentando socorrer feridos. O argentino Clarín comparou a cidade à Faixa de Gaza, publicando a frase que viralizou nas redes: “Não é Gaza, é Rio”. O norte-americano New York Times relatou que universidades suspenderam aulas, ônibus deixaram de circular e vias de acesso ao aeroporto foram bloqueadas.
Outros veículos também repercutiram. A emissora alemã DW associou a megaoperação à agenda pré-COP30 e lembrou que ações semelhantes antecederam a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A rádio pública francesa RFI e o português Público chamaram atenção para o uso de veículos blindados e drones em favelas densamente povoadas. A Al Jazeera, do Catar, revisitou a origem do Comando Vermelho e ressaltou que mais de 60% do território do Rio é controlado por traficantes ou milícias. Até o argentino La Nación e o britânico BBC News citaram o episódio como exemplo do colapso da segurança pública no Brasil.
Rio de Janeiro e Belém: Contrastes às Vésperas da COP30
Enquanto o mundo volta os olhos para o Rio em alerta, Belém — que há meses foi alvo de desconfiança quanto à infraestrutura — se prepara para receber chefes de Estado, especialistas e delegações estrangeiras entre 10 e 21 de novembro. A ironia é inevitável: quem apontava o dedo para o Norte agora enfrenta sua própria crise no quintal.
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