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segunda-feira, março 9, 2026

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Após condenar réus do 8/1, Fux defende anulação do julgamento de Bolsonaro

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Fux já condenou réus por atos golpistas em 2022. Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (10) pela anulação do processo que investiga Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados por tentativa de golpe de Estado. Segundo o ministro, o STF não tem competência para julgar o caso, já que os réus não possuem mais foro por prerrogativa de função.

Fux abriu a primeira divergência no julgamento, que já contava com dois votos pela condenação — do relator Alexandre de Moraes e do ministro Flávio Dino.

“Os fatos ocorreram entre 2020 e 2023. Naquele período, a jurisprudência era pacífica: uma vez cessado o cargo, a prerrogativa de foro deixava de existir. Nesse caso, os réus perderam seus cargos muito antes”, afirmou Fux.

Para o ministro, manter o caso no STF viola o princípio do juiz natural e compromete a segurança jurídica.

“Estamos diante de uma incompetência absoluta, que é impassível de ser desprezada como vício intrínseco ao processo”, declarou.

Contradição: Fux já votou pela condenação de réus por atos semelhantes

Apesar de defender agora a ausência de competência do STF para julgar o caso, Luiz Fux votou em 2023 pela condenação de réus envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro — o mesmo contexto do atual julgamento.

Na ocasião, o ministro acompanhou o voto de Alexandre de Moraes e condenou Aécio Lúcio Pereira a 17 anos de prisão por crimes como:

  • Associação criminosa armada
  • Ato de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Tentativa de golpe de Estado
  • Dano qualificado com uso de substância inflamável contra patrimônio da União
  • Deterioração de patrimônio tombado

Aécio foi condenado também ao pagamento de R$ 30 milhões em danos coletivos, solidariamente com outros envolvidos.

Na ocasião, Fux concordou com a tese do relator de que se tratava de um crime de execução coletiva, no qual todos os participantes contribuíram para o resultado final — inclusive com discursos e ações a favor de uma intervenção militar para derrubar o governo democraticamente eleito.

A decisão de 2023 foi acompanhada por Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Cármen Lúcia, além do próprio Fux.

Julgamento segue

O julgamento atual, conduzido pela Primeira Turma do STF, será retomado com os votos dos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

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