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quinta-feira, março 12, 2026

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Vinícius Júnior: Mais de 20 casos e o Protocolo Antirracismo Europeu

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Crédito:Reprodução/HBO Max

O atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, voltou a ser alvo de abuso racial em um recente jogo do Campeonato Espanhol, aumentando para mais de 20 os casos documentados desde sua chegada à Europa, em 2018. O último caso, ocorreu em 17 de fevereiro de 2026, durante a partida entre Real Madrid e S.L. Benfica pela UEFA Champions League, o atacante brasileiro voltou a acusar um adversário de racismo — desta vez o argentino Gianluca Prestianni, jogador do Benfica. A denúncia foi feita logo após Vinícius marcar o gol que decidiu o jogo, no Estádio da Luz, em Lisboa, levando o árbitro a acionar o protocolo antirracismo da FIFA/UEFA, que interrompeu a partida por cerca de 10–11 minutos.

Vinícius afirmou que Prestianni o teria chamado de “macaco” (em espanhol mono) enquanto cobria o rosto com a camisa — relato que foi suportado por colegas como Kylian Mbappé e interpretado por outros jogadores no campo como uma ofensa racial. O jogador acusado nega veementemente as palavras, atribuindo o episódio a um mal‑entendido, e tanto ele quanto o clube emitiram declarações defendendo sua inocência.

O jogo acabou com vitória merengue por 1×0, mas o episódio dominou as notícias e reacendeu debates sobre o racismo no futebol europeu, algo que Vinícius já denunciou em múltiplas ocasiões ao longo dos anos.

O que é o Protocolo Antirracismo e como ele funciona

O Protocolo Antirracismo no futebol é um conjunto de procedimentos definidos por organismos internacionais como a FIFA e aplicado por entidades como a UEFA. Ele foi implementado com o objetivo de responder de forma imediata e visível a relatos de racismo durante jogos oficiais — algo que se tornou mais institucionalizado a partir de 2024.

Como o protocolo é acionado em campo:

  1. Quando um jogador, técnico ou árbitro relata um incidente ou há evidência clara de abuso racial, o árbitro faz o gesto de “X” com os braços, sinalizando racismo.
  2. O jogo é então paralisado, e mensagens contra a discriminação podem ser exibidas pelos telões do estádio.
  3. Se os abusos persistirem — por torcedores ou em campo — a partida pode ser suspensa temporariamente, com os jogadores retornando aos vestiários.
  4. Em casos extremos, se não houver cessação de ataques ou provocações racistas, a partida pode ser abandonada ou encerrada.

Essa resposta imediata foi projetada para tornar o racismo incompatível com a ideia de continuidade de um jogo, e incentivar punições administrativas, esportivas e até criminais — dependendo da legislação local e do parecer disciplinar da UEFA ou federação responsável.

O caso de Vinícius Júnior e as reações ao incidente

O episódio no Estádio da Luz provocou uma onda de reações:

  • Real Madrid enviou provas à UEFA para colaborar com a investigação aberta pela entidade, que nomeou um inspetor ético‑disciplinar para apurar os fatos.
  • A FIFA e a própria UEFA afirmaram que não há espaço para racismo no futebol e apoiaram o uso do protocolo.
  • A Confederação Brasileira de Futebol também se solidarizou publicamente com o atacante, destacando que o racismo “não pode acontecer no futebol nem em lugar algum”.
  • Enquanto isso, a organização anti‑racismo Kick It Out criticou comentários de dirigentes que tentaram desviar o foco do abuso racial.

Internacionalmente, figuras como Mbappé e Trent Alexander‑Arnold expressaram apoio a Vinícius, chamando o ocorrido de “vergonha para o futebol”.

O racismo continua a ser um desafio persistente no futebol europeu. O Protocolo Antirracismo é uma ferramenta que dá visibilidade e ação imediata às denúncias, mas especialistas, atletas e torcedores vêm pedindo aplicação mais firme das punições, educação contínua e transformações culturais que tornem o esporte um ambiente verdadeiramente inclusivo.

Se a UEFA concluir que houve abuso racial, Prestianni poderá ser suspenso por no mínimo 10 partidas em competições europeias. A punição mínima foi estabelecida em 2013 e já foi aplicada em casos anteriores, como o do zagueiro Ondrej Kudela, que recebeu 10 jogos de suspensão após ofensas racistas contra Glen Kamara em 2021. Sanções adicionais podem ser aplicadas dependendo da gravidade do caso.

O post Vinícius Júnior: Mais de 20 casos e o Protocolo Antirracismo Europeu apareceu primeiro em Diário do Pará.

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