Lucas Quirino/DOL – Em meio ao avanço das negociações e à circulação das primeiras versões do texto final da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre o Clima), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou novos pontos de pressão para os países desenvolvidos e reforçou a urgência de temas que ganharam protagonismo nesta reta final da conferência. Em entrevista ao DOL, a ministra afirmou que a conferência “tem evoluído bastante” e ressaltou que a semana atual é “decisiva” para garantir que adaptação, financiamento e alinhamento das NDCs sejam tratados com o rigor necessário.
Marina iniciou destacando que, além da floresta, a questão oceânica, o combate ao desmatamento e o reflorestamento precisam avançar de forma integrada no texto final. Segundo ela, “a COP tem evoluído bastante nos debates e agora, nessa semana que é decisiva, as primeiras formulações de texto estão circulando.”
A ministra chamou atenção para o debate do dia: adaptação e indicadores de adaptação, considerados elementos estruturantes da resposta global à crise climática. E, para ela, não há adaptação possível sem dinheiro. “Dentro desses indicadores, a questão do financiamento é fundamental. Porque os países vulneráveis, que dependem do financiamento para poderem se adaptar, cobram dos países desenvolvidos que lhes deem o necessário suporte.”
Marina reforçou que cooperação técnica, por si só, não resolve: “É bem-vinda a cooperação para treinamento e alternativas tecnológicas. Mas, para quem não tem dinheiro, não é possível sequer exercitar o treinamento que recebeu.” Por isso, defendeu que o financiamento seja reconhecido como pilar estratégico nos indicadores de adaptação: “É fundamental que nos indicadores de adaptação a questão do financiamento seja colocada como estruturante.”
Outro ponto central da entrevista foi o descompasso das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) em relação ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Marina lembrou que vários ministros já alertaram para esse déficit ao longo da conferência: “Sabemos que as NDCs não estão suficientes, ainda não estão alinhadas com o ponto de 1,5°C, e é fundamental esse alinhamento”.
Para isso, afirmou, também é necessária oferta de meios para que países vulneráveis acelerem suas ações de mitigação. Mas foi enfática ao cobrar maior urgência das nações ricas: “Os países desenvolvidos precisam acelerar a sua ação e, inclusive, ter um encurtamento do prazo. Historicamente, eles emitiram mais, têm mais recursos e já atenderam suas necessidades de transporte.”
A ministra reafirmou que países em desenvolvimento têm responsabilidades, mas que a equidade precisa ser respeitada: “É importante que os países em desenvolvimento também tenham compromisso, mas, sobretudo, que os mais vulneráveis tenham os necessários recursos para poderem se adaptar e lidar com os impactos.”
ASSITA A ENTREVISTA:
Com o texto final começando a tomar forma e com pressões crescentes tanto de países vulneráveis quanto de movimentos sociais, a fala de Marina Silva amplia o foco da delegação brasileira na COP30: além das metas de mitigação, o Brasil quer sair de Belém com uma arquitetura robusta de adaptação, financiamento e compromissos mais ambiciosos das nações historicamente mais emissoras.
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