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sábado, março 7, 2026

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VÍDEO: Janja cobra presença de mulheres dos territórios nas negociações da COP30

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Lucas Quirino/DOL – A primeira-dama e enviada especial para Mulheres na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), Janja Lula da Silva, reforçou nesta quarta-feira (19) que as negociações climáticas seguem desconectadas das realidades enfrentadas por mulheres nos territórios afetados pela crise climática. Durante evento oficial na Zona Azul, ela defendeu que as vozes apresentadas ao longo da jornada pelos biomas brasileiros – realizada nos últimos meses – precisam chegar às salas onde as decisões são tomadas.

Janja afirmou que, embora as ações de escuta e mobilização tenham transformado a atuação das três enviadas especiais (Mulheres, Igualdade Racial e Periferias, e Direitos Humanos e Transição Justa), o desafio central permanece: fazer com que as experiências locais influenciem diretamente nos acordos climáticos globais.

“A gente precisa conectar o que mostramos no vídeo e o que ouvimos nos biomas com as mesas de negociação. Essas vozes não chegam lá”, disse ela.

A primeira-dama criticou a distância entre os negociadores e as populações mais afetadas: “Parece que eles são entidades. A gente nunca vê a cara deles, não sabe quem são. Ficam trancados na sala de decisões, e as mulheres dos territórios não são escutadas”.

Ao agradecer negociadoras brasileiras que atuam no tema de gênero, Janja destacou o papel fundamental delas em “fazer a ponte” entre a realidade dos territórios e a diplomacia climática. “Vocês conseguem efetivamente conectar o que os territórios falam. É disso que a gente precisa”, afirmou.

“Podemos ser o meio do caminho”

Janja relatou que, ao assumir o posto de enviada especial, questionou qual seria sua missão. “É uma responsabilidade enorme. E decidimos: vamos ouvir”, afirmou. Segundo ela, a jornada pelos biomas permitiu identificar soluções locais com potencial global, além de gargalos que barram a implementação de políticas públicas – especialmente o acesso a financiamento para mulheres rurais.

Ela mencionou o caso de agricultoras que, mesmo com linhas de crédito disponíveis pelo governo federal, não conseguem acessar recursos por causa da burocracia. “A máquina ainda enterra o acesso ao crédito para muitas mulheres, tanto no território rural quanto nas periferias”, afirmou.

Experiências locais como exemplos globais

A primeira-dama reforçou que os desafios encontrados no Brasil se repetem em diversos países, especialmente da África e da Ásia. “Soluções locais podem ter alcance global”, disse. Para ela, a COP30 deveria servir para ampliar políticas públicas nacionais bem-sucedidas, conectando financiamento internacional à implementação em larga escala.

Janja também lembrou do Fundo Floresta, anunciado pelo presidente Lula durante a conferência, destacando que o apoio às populações locais — em especial às mulheres — será central. “Não existe floresta em pé sem as pessoas, e principalmente sem as mulheres”, afirmou.

Caminho além da transição energética

Concluindo sua fala, Janja afirmou que a COP30 precisa elaborar não apenas um “mapa do caminho” para a transição dos combustíveis fósseis, mas um “grande mapa do caminho para que a humanidade se reinvente”. Segundo ela, reconstruir a relação entre clima, direitos e territórios passa, inevitavelmente, pela inclusão das mulheres na tomada de decisões.

“Os desafios são grandes, e o que vimos nos territórios mostra força, resiliência e propostas reais. Mas isso precisa entrar na negociação. Não dá para seguir com mesas que não pisam nos territórios”, finalizou.

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