À frente de um elenco em reconstrução, o técnico Júnior Rocha chega à final do Campeonato Paraense consolidado como uma das figuras centrais do momento vivido pelo Paysandu. Aos 44 anos, o treinador conduz o time à decisão em meio a um cenário de reorganização financeira que impactou diretamente a formação do grupo do Papão para 2026.
Os números ajudam a explicar o percurso até aqui. Em oito jogos pelo estadual, o Campeão dos Campeões soma cinco vitórias, um empate e duas derrotas, com 12 gols marcados e apenas cinco sofridos. A equipe vem de três vitórias consecutivas, incluindo o 5 a 1 sobre a Tuna Luso nas quartas de final e o 1 a 0 diante do Castanhal na semifinal, e apresenta evolução defensiva e maior consistência coletiva na reta decisiva.
Mas o desafio de Júnior Rocha vai além das estatísticas. Com o clube ajustando as contas e reduzindo investimentos, a diretoria optou por um elenco mais enxuto e com forte presença de atletas formados na base. A escolha impôs ao treinador a missão de acelerar processos de maturação e consolidar jovens em ambiente de alta pressão.
A montagem do Papão para 2026
Longe de tratar o cenário como obstáculo, Júnior abraçou o perfil do grupo e, em diferentes momentos da temporada, destacou que prefere trabalhar com atletas “sem vícios”, mais abertos ao aprendizado e com fome de afirmação. Para ele, jovens querem vencer, escutam, assimilam ideias com mais facilidade e tendem a se entregar integralmente em campo. A resposta prática aparece na competitividade demonstrada pelo time, especialmente nos jogos grandes.
Até aqui, o Paysandu anunciou 11 reforços para a temporada e conta com 14 jogadores oriundos das categorias de base. O elenco comprou a ideia do treinador e vem entregando resultados. Entre os principais destaques das crias da Curuzu, estão Brian, Pedro Henrique, Kauã Hinkel e Salomoni. E vale uma menção honrosa a Henrico, cria da Tuna Luso, mas que aos 21 anos vem se destacando sob o comando de Júnior Rocha. O modelo tático base, geralmente no 4-2-3-1, prioriza intensidade, compactação e transições rápidas. Essas características dialogam com a energia do elenco, que tem média de idade 23,8.
Re-Pa: um teste decisivo
Ainda assim, o Re-Pa representa um teste diferente. Clássicos amplificam virtudes e expõem fragilidades. Para Júnior Rocha, o desafio é equilibrar juventude e responsabilidade, mantendo o time emocionalmente estável em um ambiente que naturalmente aumenta a pressão.
Se por um lado o Paysandu vive ajustes administrativos, por outro apresenta crescimento esportivo sob a condução. O treinador chega à decisão estadual respaldado por números consistentes, um elenco comprometido e a convicção de que a aposta na base pode ser não apenas uma necessidade financeira, mas um caminho competitivo. No Re-Pa, essa construção coletiva será colocada à prova.
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