Lucas Contente (DOL) – Durante o quinto dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), nesta sexta-feira (14), o ministro das Cidades, Jader Filho, e o presidente do Sistema Transporte — formado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pelo SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) e pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística) —, Vander Costa, defenderam que a mobilidade urbana é peça-chave para reduzir desigualdades, melhorar a saúde pública e diminuir emissões de gases de efeito estufa no país.
Jader Filho destacou que o transporte público brasileiro enfrenta desafios que afastam usuários e reforçam o uso do carro individual — um cenário que, segundo ele, precisa mudar para que o país avance na agenda climática. “Se não disciplinarmos o transporte e não criarmos incentivos para reduzir o uso individual do carro, não vamos avançar”, afirmou. Ele lembrou que o governo federal financia a renovação de frotas em diversas cidades, como Belém, que recebeu 265 novos ônibus para operar no BRT, sendo 40 elétricos.
A adoção de veículos elétricos e modelos Euro 6 — até 18 vezes menos poluentes que o diesel comum — foi apresentada como uma das principais contribuições das cidades para a descarbonização. O ministro ressaltou também que obras estruturantes, como o BRT que conecta o aeroporto de Belém ao corredor da Almirante Barroso, refletem esforços para ampliar o acesso da população a um transporte mais rápido, regular e confortável.
Segundo Jader Filho, investimentos desse tipo têm impacto direto no cotidiano das famílias.
“Com um transporte de qualidade, as pessoas chegam mais cedo ao trabalho e voltam mais cedo para casa. Isso significa mais tempo para estudar, cuidar da família, praticar exercícios e aproveitar momentos de convivência”, afirmou.
Ele defendeu que um sistema eficiente contribui socialmente e melhora a qualidade de vida nas regiões metropolitanas.
No debate, técnicos e gestores apresentaram propostas para que o país avance em temas como tarifa zero, modicidade tarifária e qualidade do serviço. O ministro argumentou que a migração do transporte individual para o coletivo só acontecerá quando ônibus, trens e metrôs oferecerem previsibilidade, segurança e agilidade.
Mobilidade como política de Estado
O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, reforçou que a mobilidade urbana é central para garantir uma cidade mais equilibrada. Ele lembrou que 85% da população brasileira vive em áreas urbanas e que o transporte coletivo deve ser entendido como uma ferramenta de cidadania.
“Investir em transporte público significa reduzir emissões, desafogar o trânsito e ampliar o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços públicos”, disse Costa. Para ele, a eficiência do país depende da eficiência de seu sistema de transporte.
Ele também destacou que o transporte coletivo é essencial na agenda ambiental, já que emite muito menos por passageiro do que carros e motocicletas, contribuindo diretamente para a saúde da população e para o avanço da descarbonização no setor.
Bicicleta como aliada da mobilidade sustentável
A ampliação do uso da bicicleta como modal de transporte foi outro ponto central do painel. Jader Filho falou sobre o Prêmio Bicicleta Brasil, criado para incentivar iniciativas cicloviárias em diferentes regiões do país, e que terá resultado divulgado nesta segunda-feira (17).
A edição deste ano recebeu 430 inscrições em 24 categorias, premiando 72 projetos — iniciativa que, segundo a pasta, busca estimular soluções locais que tornem o deslocamento urbano mais saudável, limpo e acessível.
“O uso da bicicleta reduz a pressão sobre o transporte público de curta distância, melhora a saúde das famílias e não polui”, destacou Jader Filho. Para ele, os projetos premiados devem inspirar novas ações e fortalecer uma cultura cicloviária no país.
Caminhos para o futuro
Ao encerrar o painel, o ministro afirmou que o transporte público vive um momento decisivo e que as políticas discutidas na COP30 podem influenciar diretamente a construção de cidades mais inclusivas e sustentáveis.
“A mobilidade transforma realidades. O que estamos debatendo aqui é como garantir que brasileiros e brasileiras tenham um transporte digno, moderno e menos poluente”, concluiu.
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