Se existe alguém no futebol brasileiro que fala sem medo e com autoridade de quem conquistou tudo, esse é Renato Portaluppi, ou Renato Gaúcho. Em entrevista ao “Baixinho” Romário, o ídolo gremista e treinador disparou críticas ao cenário atual e reafirmou por que sua geração ainda é referência no futebol brasileiro.
Futebol de ontem x futebol de hoje
Renato foi direto: “Na nossa época tinha muito futebol e pouco dinheiro. Hoje tem pouco futebol e muito dinheiro”. Segundo ele, o salário inflacionado não acompanha a qualidade técnica, e muitos jogadores se valorizam mais do que entregam em campo. “Tem muitos jogadores hoje que não têm personalidade, não jogam porra nenhuma e se acham”, completou.
A comparação com Cristiano Ronaldo
O eterno desafio também veio à tona: “Joguei mais que o Cristiano Ronaldo, sem dúvida alguma”. E Renato provocou ainda mais: “Eu queria jogar no lugar dele no Real Madrid, com aqueles caras todos do lado… e ele jogar no meu lugar, com alguns times aqui no Brasil com salários atrasados. Aí que eu queria ver”.
Críticas aos “estudiosos” da Europa
Como técnico, Renato criticou a nova onda de treinadores que buscam validação em cursos rápidos fora do país. “O treinador falar: ‘Fui na Europa estudar… uma semana, 10 dias’… ah, para cima de mim. Aprendi na vivência de 19 anos dentro das quatro linhas, liderando vestiário. Isso nenhum curso de dez dias substitui”.
Lidando com craques e “bad boys”
Sobre jogadores difíceis, como Romário e Edmundo, Portaluppi explicou sua filosofia: “O craque vai me dar problema durante a semana… mas no final de semana, na hora do jogo, o trabalho que ele dá pro adversário é absurdo. Prefiro esse tipo de jogador a quem é exemplo na semana e some na hora do ‘vamos ver’”.
Seleção Brasileira e Neymar
Renato defende a presença de Neymar, mesmo fora do auge físico: “Eu levaria o Neymar cegamente pra Copa do Mundo. Ele pode decidir nos últimos 20 minutos de um jogo contra um adversário cansado”. Ele ainda reforçou a necessidade de centroavantes de ofício: “Não abriria mão de Pedro ou Caio Jorge… você precisa de alguém que sabe fazer gol”.
No fim, Renato resume sua trajetória com simplicidade: “Minha melhor virtude é ser amigo demais, confiar demais nas pessoas”. Vencedor como jogador e técnico, o ex-Bad Boy, que hoje se deu ao luxo de estar desempregado, segue sendo uma voz firme e necessária em um futebol cada vez mais burocrático. Além de ser autor de muitas pérolas e garantir boas resenhas.
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