A modernização do acesso aos estádios de futebol chegou de vez ao Pará. O clássico entre Clube do Remo e Paysandu Sport Club, marcado para este domingo (8) no Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão), pelo segundo e decisivo confronto que vale o título do Campeonato Paraense de 2026, será o primeiro grande jogo realizado com 100% de acesso por biometria facial. A tecnologia substitui definitivamente o ingresso físico ou digital nas catracas e passa a ser a única forma de entrada no estádio.
A mudança faz parte de um processo de modernização da arena e também atende às exigências da Lei Geral do Esporte, que determina o controle e a identificação do público em estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas. O Mangueirão, que pode receber mais de 50 mil torcedores, iniciou a implantação do sistema na partida entre Remo e Internacional, pelo Brasileirão da Série A, mas neste domingo, o sistema terá seu primeiro grande teste, avançando para sua aplicação integral em um dos jogos de maior público do futebol paraense.
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O sistema utilizado no estádio foi desenvolvido pela Imply ElevenTickets e conta com mais de uma centena de leitores instalados nas entradas da arena. A tecnologia faz a autenticação do torcedor em menos de um segundo, comparando pontos biométricos do rosto com o cadastro previamente realizado.
Segundo o secretário de Estado de Esporte e Lazer do Pará, Cássio Andrade, a implantação representa um avanço estrutural para o futebol local.
“Estamos dando um passo importante para modernizar o nosso estádio e garantir mais segurança, transparência e conforto ao torcedor. A biometria facial coloca o Mangueirão entre as arenas mais modernas do país e reafirma o compromisso do Governo do Estado com a inovação e a organização do futebol paraense”, afirmou.
Segurança e combate a irregularidades
Entre os principais objetivos da nova tecnologia está o combate a práticas como cambismo, fraude de ingressos e acessos irregulares. De acordo com a empresa responsável pelo sistema, a vinculação do ingresso ao rosto do torcedor torna o acesso individual e intransferível.
“O ingresso passa a estar vinculado à identidade biométrica do torcedor, tornando o acesso pessoal e intransferível”, explica Sergio Meinhardt, diretor de operações da Imply, em entrevista exclusiva ao DOL. A empresa destaca que essa característica tem sido apontada como um dos principais fatores para reduzir irregularidades em arenas que já utilizam o reconhecimento facial.
Além da autenticação biométrica, o sistema utiliza inteligência artificial e algoritmos de aprendizado profundo para aumentar a precisão da identificação. Segundo Meinhardt, a plataforma trabalha com mais de cem pontos faciais no cadastro, embora apenas parte deles seja necessária para confirmar a identidade do usuário, o que garante precisão superior a 99,9%.
Outro mecanismo incorporado é o chamado live detection, tecnologia capaz de identificar se o rosto apresentado é realmente de uma pessoa presente no local, evitando tentativas de fraude com fotos ou vídeos.
Proteção de dados e infraestrutura
Um dos principais questionamentos em torno do uso da biometria facial em eventos esportivos envolve a proteção de dados pessoais. Segundo a Imply, a estrutura do sistema foi desenvolvida para atender às exigências da legislação brasileira.
“A arquitetura da solução contempla criptografia, rastreabilidade de logs e todos os mecanismos necessários de segurança e governança para atender integralmente à Lei Geral de Proteção de Dados”, afirmou Meinhardt. Ele ressalta, porém, que os clubes e estádios são os controladores das informações coletadas. “Eles são responsáveis por definir finalidade, prazo de retenção e política de compartilhamento dos dados.”
A infraestrutura de armazenamento utiliza ambiente de nuvem com criptografia e múltiplas camadas de proteção contra vazamentos ou ataques cibernéticos. A empresa também afirma possuir certificação internacional ISO 27001, considerada um dos principais padrões globais de segurança da informação.
Plano de contingência
Apesar da alta taxa de precisão, a empresa admite que podem ocorrer casos excepcionais de falha no reconhecimento facial. Nessas situações, o torcedor é direcionado para uma validação assistida por equipes treinadas no próprio estádio.
“Existe uma ferramenta específica para utilização pela equipe do evento, garantindo agilidade na resolução de ocorrências diretamente nos pontos de acesso”, explicou Meinhardt. Os equipamentos também contam com monitoramento em tempo real e mecanismos de redundância para manter o funcionamento do sistema durante as partidas.
Inclusão e adaptação do público
A adoção obrigatória da biometria facial também levanta discussões sobre inclusão digital, especialmente entre torcedores que têm pouca familiaridade com plataformas online. Para reduzir esse impacto, pontos de atendimento presencial foram criados para auxiliar no cadastro.
“O estádio e o clube contam com pontos físicos de atendimento para cadastro assistido, suporte presencial e orientação aos torcedores”, afirmou o diretor da empresa.
Segundo ele, a comunicação com o público também faz parte do processo de adaptação. “A mudança do ingresso para autenticação facial altera a jornada do torcedor. Por isso, é essencial que o público receba informações claras sobre como funciona o sistema.”
Como fazer a biometria facial?
Para utilizar o sistema, o torcedor deverá realizar o cadastro prévio da biometria facial, por meio do link mangueirao.eleventickets.com. O processo é simples, rápido e pode ser feito pelo celular.
O torcedor deverá:
- Inserir corretamente os dados pessoais, com e-mail válido;
- Apresentar documento oficial com foto (RG ou CNH). Para estrangeiros, será exigido passaporte;
- Realizar o escaneamento facial em local bem iluminado;
- Evitar o uso de acessórios, como chapéus e óculos.
Para a conclusão do cadastramento, será necessário o pagamento de uma taxa única de manutenção e suporte ao sistema, no valor de R$ 1,98, via cartão de crédito ou Pix. Após a finalização, o torcedor estará apto a acessar o estádio exclusivamente por meio do reconhecimento facial.
Clássico como teste definitivo
O clássico deste domingo entre Remo e Paysandu será, na prática, o maior teste do novo modelo de acesso desde a implantação da tecnologia no Mangueirão. Com expectativa de grande público, o jogo marcará a primeira grande partida em que todas as entradas da arena funcionarão exclusivamente com reconhecimento facial. Ambos os clubes já informaram que o acesso ao estádio neste domingo será por meio da biometria facial.
A Secretaria de Esporte e Lazer reforçou que o cadastro prévio é indispensável para quem pretende acompanhar a partida no estádio. Sem o registro biométrico, o acesso às arquibancadas não será permitido.
A expectativa do governo estadual e da administração do Mangueirão é que o novo sistema consolide um padrão de segurança e organização semelhante ao já adotado em grandes arenas do futebol brasileiro, reduzindo irregularidades e tornando o acesso mais rápido para os torcedores.


