Brenda Hayashi/DOL – Em frente a um par gigantesco de pulmões infláveis, médicos, ativistas e profissionais de saúde do Canadá transformaram o espaço da Blue Zone nesta segunda-feira (17) em um palco de denúncia, arte e alerta global.
A apresentação começou com um rap improvisado, que rapidamente atraiu participantes da conferência. O artista brincava com o ritmo, mas o recado era direto:
“Para aproveitar a vida, você precisa dos seus pulmões… Nós gostamos de nos divertir, mas o planeta tem a Amazônia, os pulmões do mundo”, cantavam em inglÊs.

A apresentação seguia comparando o planeta a um paciente em crise: “O planeta está com bronquite… Os combustíveis fósseis estão causando uma infecção”, diziam em inglês.
Em outro momento, o artista simulava um diagnóstico: “”Nossos pulmões estão ficando sujos, e os combustíveis fósseis estão nos deixando doentes… Os médicos prescrevem isso, salvar os pulmões do mundo’.
A apresentação, embora descontraída, arrancou aplausos ao transformar termos médicos em metáforas ambientais, costurando humor e crítica com fluidez. Mas logo deu lugar a um discurso sério. Os profissionais queriam que o recado fosse entendido como uma emergência sanitária.
“A saúde do planeta e a saúde das pessoas são inseparáveis”
Após o rap, a porta-voz Noelle Leporee, da Canadian Association of Physicians for the Environment, assumiu o microfone e agradeceu à equipe que trouxe os enormes pulmões infláveis do Canadá.
Na ocasião, ela explicou que os pulmões representam os danos que os combustíveis fósseis causam ao corpo humano. Noelle continuou dizendo que a poluição fóssil é responsável por uma em cada cinco mortes no mundo, provocando cerca de 8 milhões de óbitos em 2018.
“Os pulmões representam a Amazônia, onde a conferência acontece e que também sofre com o avanço do petróleo, gás e queimadas, agravados pelas mudanças climáticas”, continuou. “Os pulmões do mundo estão nas mãos dos negociadores da COP”, afirmou.
Relatos de pacientes: “A cada onda de calor, eu tinha medo de ela não sobreviver”. Os discursos seguintes trouxeram histórias reais da rotina médica no Canadá, mostrando como a queima de combustíveis fósseis já está adoecendo pessoas em situação de vulnerabilidade.
Uma das médicas relembrou sua paciente idosa com asma que vivia sozinha em St. Jamestown, em Toronto, sem ar-condicionado, enfrentando sucessivos alertas de calor e de má qualidade do ar.
“A cada onda de calor, eu me preocupava se ela iria sobreviver.” Após anos, a paciente conseguiu acesso à climatização mas, segundo a médica, isso não basta: “O que realmente vai ajudá-la é parar de queimar combustíveis fósseis.”

“Estamos causando AVCs, demência e danos em bebês” alertou a médica.
A próxima fala foi de Dr. Millie Roy, que atua em uma região metropolitana com forte demanda energética. Ela denunciou que autoridades têm apostado na expansão de usinas a gás, uma estratégia que, segundo ela, “adoece toda a população”.
Roy explicou que os impactos vão muito além dos respiratórios como aumento de doenças cardíacas, maior incidência de AVCs, risco ampliado de demência, prejuízos à saúde de gestantes e fetos, como partos prematuros e malformações cardíacas.
“Cada vez que queimamos combustíveis fósseis, estamos causando tudo isso.” Ela destacou que, com mobilização comunitária, cidades conseguiram barrar expansões de plantas de gás, mostrando que informação e engajamento podem mudar políticas públicas.
O ato terminou com aplausos e com uma mensagem: “Temos as soluções: energias renováveis, baterias, novas tecnologias. Podemos vencer isso, mas precisamos de todos.”, concluiu Roy.

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