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segunda-feira, março 9, 2026

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Povos tradicionais marcam presença histórica na Cúpula dos Líderes e na COP30

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Lucas Quirino/DOL – O aroma do tacacá, da maniçoba e do vatapá amazônico começa a se misturar ao clima político e diplomático que toma conta de Belém durante a Cúpula dos Líderes e, em breve, da COP 30. Entre os espaços que representam a diversidade cultural da Amazônia, um chama atenção pela força simbólica: o estande do consórcio Delícias Quilombolas, que reúne micro e pequenos empreendedores de comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais do Pará.

A iniciativa é mais do que uma vitrine gastronômica — é um marco histórico de representatividade. Pela primeira vez, empreendedores dessas comunidades conquistaram, por meio de um processo de licitação pública, o direito de ocupar um espaço oficial dentro da estrutura do evento.

“Participamos do processo normal chamado pela OEI, que foi a licitação. Solicitamos que houvesse a inclusão dos pequenos e microempreendedores, das comunidades tradicionais, quilombolas e ribeirinhas. Nosso pedido foi atendido e conseguimos participar do edital, algo que até então era inviável para nós”, explicou Eduardo Cravo, um dos representantes do consórcio.

Eduardo Cravo, proprietário do Delícias Quilombolas

Gastronomia de raiz como símbolo de identidade amazônica

No cardápio do espaço, o público encontra o frito do vaqueiro, o tacacá, a maniçoba, o vatapá e o cuscuz com jambu — receitas que carregam séculos de história e saberes transmitidos entre gerações. Segundo Eduardo, cada prato é uma forma de contar a história dos povos que vivem às margens dos rios amazônicos.

“Estamos trazendo nossa culinária raiz, nossos produtos originários do Pará e da Amazônia. Temos as tacacazeiras, as mulheres quilombolas, os ribeirinhos, todos representando um pedaço vivo da nossa cultura”, destacou o empreendedor.

O espaço ainda está em fase de montagem, mas a curiosidade do público é crescente. “As pessoas estão vindo, estão muito curiosas pra saber um pouco da nossa cultura e dos ingredientes que usamos. Muita gente já diz que vai voltar pra almoçar aqui. Isso nos enche de orgulho”, comemora Eduardo.

Um marco de inclusão e reconhecimento

A presença dos povos tradicionais no evento reforça o compromisso da COP30 em dar visibilidade à Amazônia não apenas como bioma, mas como território vivo, com identidade e cultura próprias. A inserção de microempreendedores e comunidades tradicionais na programação representa uma conquista concreta em um espaço historicamente restrito a grandes empresas e instituições.

Para Eduardo Cravo e os demais integrantes do consórcio, participar da Cúpula dos Líderes é mais do que uma oportunidade comercial — é um gesto de afirmação. “Estamos muito felizes e orgulhosos de fazer parte desse momento histórico para o Brasil, para Belém e para a Amazônia”, celebra.

Enquanto os líderes mundiais discutem metas climáticas e estratégias de sustentabilidade, a presença das Delícias Quilombolas no evento lembra que a proteção da Amazônia também passa pelo fortalecimento de quem vive dela, e a cozinha, neste contexto, se transforma em um poderoso instrumento de resistência, identidade e pertencimento.

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