O padre Júlio Lancellotti participou ontem (25) de uma assembleia na Praça da Bandeira, em Belém. Na ocasião, o sacerdote ouviu as demandas e conheceu a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa fez parte de uma ação da Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA), através da Escola Superior da Defensoria Pública (ESDPA), que visa a capacitação para atender pessoas em situação de rua.
Segundo o padre Júlio, a escuta e a convivência são ferramentas essenciais para entender a realidade desse público. “Isso é muito importante para que se possa ouvir as pessoas. Não só imaginarmos o que eles pensam, mas ouvi-los realmente. Então, a Defensoria Pública e todos os grupos envolvidos estão de parabéns. Se São Paulo fizesse isso seria muito bom também, ainda bem que Belém está mostrando essa luz pro mundo”, afirmou.
“O convívio é desafiador, é transformador, muitas vezes é conflitivo, mas você só vai ouvir se você convive, você só vai amar se você convive”, disse.
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Em novembro de 2025, Belém será a cidade-sede da Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP-30). O sacerdote católico ainda fez um apelo para a organização do evento internacional em relação às pessoas em vulnerabilidade social.
“Nós pedimos que a COP tenha um painel sobre as mudanças climáticas e a população em situação de rua. Eles são os que primeiro sofrem com a mudança climática. É importante que isso seja feito, que Belém dê um exemplo, não trate com violência, nem com repressão as populações de rua, trate-os com dignidade”, solicitou Lancellotti.
Defensoria
A ação da Defensoria Pública do Estado do Pará é uma resposta para a demanda do Colaboratório Nacional Pop Rua em relação ao atendimento às pessoas em situação de rua. Essa é a primeira ação nesse sentido e tem o intuito
de criar um fluxo permanente de portas abertas a essa população para todos os serviços do órgão. O momento foi marcado pela coleta de informações desse público com foco na melhoria do atendimento enquanto instituição de acesso à Justiça.
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“Acredito que é o momento que Belém respira esse problema social que são as pessoas em situação de rua que, muitas vezes, são vistas como um problema resolvido pela polícia, e não é isso. O objetivo é sensibilizar e entender as necessidades para construir políticas públicas efetivas. [Os desafios] são enormes, porque é a primeira vez que a Defensoria Pública faz um tipo de atendimento nesse sentido, de estar na rua com as pessoas em situação de rua e, ao mesmo tempo, é um problema complexo. A gente precisa escutar, entender, para depois começar a fazer alguma coisa”, esclareceu a coordenadora da ação, Anna Izabel.