A presença de mulheres ainda é vista com desigualdade em algumas áreas em relação aos homens, mas há alguns anos isso vem mudando.
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a participação feminina na ciência e nas áreas tecnológicas volta ao centro do debate. Apesar dos avanços nas últimas décadas, especialistas apontam que ainda é necessário ampliar o incentivo para que meninas e jovens se interessem por áreas como engenharia, matemática e pesquisa científica.
Para a professora Arielly Pereira, docente de uma instituição de ensino superior e doutoranda em Engenharia Mecânica, o interesse pela ciência surgiu ainda na infância, influenciado pela convivência com familiares que atuavam na área. “Desde criança sempre amei ciências e pesquisa. Tenho um tio que é doutor em química e fez carreira na pesquisa, ensino e extensão. Meus outros tios também atuam nas exatas e sempre me motivaram a estudar ciências”, conta.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- “Mulheres Vivas”: Belém nas ruas contra o feminicídio
- Evento em Belém promove defesa pessoal gratuita para mulheres
O desejo de seguir carreira acadêmica também nasceu cedo. Segundo ela, a decisão de se tornar pesquisadora foi tomada ainda na infância, inspirada pela forma apaixonada com que os familiares falavam sobre suas trajetórias profissionais. Hoje, além de cursar doutorado em Engenharia Mecânica, Arielly coordena três cursos de engenharia e concilia a rotina entre ensino, pesquisa, gestão acadêmica e maternidade. “É um grande desafio, mas com planejamento conseguimos organizar as atividades. Além disso, tenho a maternidade, com dois filhos lindos, que também fazem parte dessa jornada”, afirma.
Embora reconheça avanços na presença feminina nas engenharias, a docente acredita que ainda há um longo caminho pela frente. “Já temos uma parcela significativa de mulheres nas ciências, mas ainda precisamos avançar muito. A sociedade ainda vê essas áreas como cursos masculinos e, muitas vezes, precisamos provar nossa capacidade constantemente”, avalia.
Desigualdade de gênero ainda marca áreas científicas
Apesar dos avanços, os números mostram que a desigualdade ainda é uma realidade nas áreas científicas. De acordo com dados de um organismo internacional voltado à educação, ciência e cultura, as mulheres representam cerca de 30% dos cientistas no mundo. No Brasil, o cenário é um pouco mais equilibrado, com aproximadamente 40% dos pesquisadores sendo mulheres, mas a presença feminina ainda é menor em áreas como engenharia e tecnologia. Os dados reforçam a importância de ampliar o incentivo para que meninas e jovens se interessem por carreiras ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Segundo Arielly, a representatividade pode incentivar novas gerações a seguir o mesmo caminho. “Precisamos desenvolver nas crianças o gosto pela ciência e evitar criar barreiras dizendo que isso não é coisa de mulher. Quanto mais nos sentimos representadas, mais acreditamos que podemos ir além. Isso motiva outras mulheres a buscar espaço na ciência e na engenharia”, explica.
Quer mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsApp
A docente também ressalta que a diversidade no ambiente acadêmico impacta positivamente a formação dos estudantes. Para ela, a presença feminina ajuda a quebrar tabus e mostra que as mulheres podem ocupar qualquer espaço na formação científica.
Para ampliar a participação das mulheres nessas áreas, Arielly defende investimentos na educação básica, especialmente no incentivo ao aprendizado de matemática e ciências. “Muitas crianças têm dificuldade nessas disciplinas e não são estimuladas a seguir por esses caminhos. Precisamos trabalhar desde a base para formar meninas fortes e seguras para escolher as carreiras que desejarem. É essencial que não desistam de seus talentos e sonhos e que pensem sempre na contribuição que podem oferecer para a sociedade por meio de novas tecnologias, pesquisas e soluções para os desafios do mundo”, conclui.


