Gustavo Dutra/DOL – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, marcou presença na COP 30, em Belém, para apresentar um balanço robusto da atuação do banco no setor florestal e anunciar novos investimentos massivos, consolidando o BNDES como um instrumento estratégico para a transição ecológica brasileira. Durante o evento, Mercadante destacou que o banco já mobilizou R$ 7 bilhões para o setor nos últimos dois anos e meio, sendo R$ 5,7 bilhões em crédito e R$ 1,3 bilhão em recursos não reembolsáveis.
A agenda na COP 30 focou em cinco novas operações de crédito do Fundo Clima Florestas, que somam R$ 912 milhões em financiamentos, destinados à restauração florestal e a sistemas agroflorestais nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Com a soma de recursos da iniciativa privada, esses R$ 912 milhões representam investimentos de R$ 3,1 bilhões em reflorestamento.
Mercadante enfatizou que a atuação do BNDES visa não apenas conter o desmatamento, mas criar um novo modelo econômico. Ele sublinhou que a restauração florestal se transformou em uma pauta econômica concreta no país.
“Essas operações mostram que a restauração florestal virou uma agenda econômica concreta no Brasil. Estamos combinando crédito competitivo, ciência, inovação e parcerias com o setor privado para gerar emprego, renda e recompor a biodiversidade. O Brasil tem todas as condições de liderar a nova economia da floresta e transformar o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Com apoio aos negócios de florestas, o BNDES está indo além das ações de comando e controle do desmatamento, contribuindo para a permanência da floresta em pé, desincentivando a volta de atividades ilícitas que promovem a destruição das nossas florestas”, afirmou.
Segundo o presidente do BNDES, as novas operações deverão restaurar mais de 86 mil hectares, gerar empregos e capturar milhões de toneladas de CO₂. A iniciativa com o grupo Pátria Investimentos, por exemplo, destina R$ 200 milhões à implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) que integram culturas de cacau, café e abacate com espécies nativas da Mata Atlântica em regiões de baixo IDH.
Tecnologia e preservação
O presidente do BNDES fez questão de ressaltar que, além do foco na restauração, o governo do presidente Lula e a Ministra Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente conseguiram reduzir o desmatamento em 40% a 50% na Amazônia, e 11% no Cerrado.
Para complementar esse esforço, o BNDES investiu R$ 318 milhões na criação de um Centro de Inteligência e comando e controle, coordenado pela Polícia Federal e que utiliza inteligência artificial e imagens de satélite de alta resolução (chegando a 10 cm) para combater o desmatamento. Mercadante detalhou como essa tecnologia sofisticada aumentou a eficácia do combate ao crime:
“Nós criamos um centro de inteligência e comando e controle que é coordenado pela Polícia Federal com todas as polícias da Amazônia civil e militar, com assento a adidos militares de todos os países panamazônicos e que utiliza inteligência artificial, imagem de satélite, tecnologia de ponta para combater o desmatamento. Então nós investimos 318 milhões de reais. Vamos fazer agora um novo investimento importante. E o que que esse centro faz? Por exemplo, ele identifica hoje, abriu uma picada, você já sabe o tamanho do desmatamento que vai acontecer, qual é o ritmo do desmatamento, o que é que você tem que combater primeiro? Quais são os focos de incêndio? Onde estão os garimpos ilegais? E a imagem de satélite chega a 10 cm. Então hoje você tem uma visibilidade extraordinária que você consegue fazer o reconhecimento facial de um garimpeiro que tá em cima de uma balsa ilegal. Isso aumentou a eficiência do combate.”
A tecnologia tem gerado resultados imediatos. Mercadante citou que apenas nas duas primeiras apreensões de ouro realizadas pela Polícia Federal, o montante arrecadado foi de R$ 164 milhões, cobrindo metade do investimento inicial feito no centro de inteligência, sem contar apreensões de drogas e madeira.
Mercado Global
O presidente do banco destacou que o “salto de qualidade” na estratégia é o investimento maciço na plantação de árvores, que é a “tecnologia conhecida, a mais antiga de sequestro de carbono”. O BNDES está em processo para plantar 280 milhões de árvores, gerando 71 mil empregos verdes em atividades como coleta de semente, manejo e plantio.
As iniciativas atuais visam retirar 54 milhões de toneladas de carbono equivalente do planeta. Para dar credibilidade e agilidade a esse mercado, o BNDES está trabalhando para ter um mercado de carbono “eficiente, transparente, com credibilidade”. Nesse sentido, o banco assinou um acordo para implantar uma certificadora de carbono especializada em floresta tropical, com foco em parcerias internacionais.
Em um passo ambicioso, o Brasil propõe a criação do “BIC” – Brasil, Indonésia e Congo – para unir o grosso das florestas tropicais do mundo e criar uma certificação específica para esses biomas.
Encerrando sua fala, Mercadante celebrou a rápida escalabilidade dos projetos. Ele lembrou que, inicialmente, a meta era investir R$ 1 bilhão, e agora, dois anos depois, o BNDES está anunciando R$ 7 bilhões contratados, e não apenas projeções. Ele concluiu afirmando que o BNDES está pronto para o futuro, lembrando que o banco sempre olhou para o futuro e foi o maior financiador de energia limpa e renovável na história do Brasil.
“Nós estamos empenhado, nós estamos entregando e essa é a COP das entregas, né, de iniciativas concretas que o BNDES entrega.”
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