Laura Vasconcelos (DOL) – A enviada especial do Governo Federal para as mulheres, a primeira-dama Janja Lula da Silva, participou nesta terça-feira (18) do painel “Mulheres que Alimentam”, na Blue Zone da COP30, em Belém, e apresentou uma síntese das escutas realizadas nos principais biomas brasileiros.
Em sua fala marcado por críticas à desigualdade de gênero e pela defesa de políticas estruturantes para territórios vulneráveis, Janja reforçou que as mulheres são as protagonistas das soluções climáticas no Brasil — e que essa liderança precisa ocupar também os espaços de decisão global.
Ao longo do painel, Janja relembrou suas passagens pelos principais biomas brasileiros, como a Amazônia, a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, dando destaque ao que viu e conversou com mulheres que vivem nessas regiões.
Protagonismo das mulheres na Amazônia
Janja iniciou sua fala destacando a centralidade feminina na defesa da Amazônia. Segundo ela, são as mulheres que lideram transformações comunitárias, como a transição da derrubada da floresta para modelos sustentáveis de turismo e agroecologia.
A primeira-dama relatou experiências vividas durante escutas territoriais, como a visita à chamada “sala da floresta”, espaço comunitário construído dentro do bioma e símbolo da relação ancestral com o território.
“O bioma da Amazônia nos diz que as mulheres é quem realmente fazem a defesa da floresta. Eu acho que elas são verdadeiras heroínas e defensoras desse território”, afirmou.
Ela também reforçou o papel feminino na preservação da agrobiodiversidade:
“A gente viu mulheres protegendo as suas sementes, as sementes tradicionais. Isso foi muito lindo”, completou.

Ao tratar da Caatinga, Janja criticou o imaginário restrito sobre o bioma — frequentemente associado à seca extrema — e ressaltou que o acesso à água transformou radicalmente a realidade de milhares de mulheres.
Ela lembrou que, antes das cisternas, muitas caminhavam quilômetros para encontrar água para lavar roupas, passando o dia inteiro longe de casa à espera de que as peças secassem. Com a chegada das tecnologias sociais de convivência com o semiárido, esses quintais passaram a produzir alimentos, muitos deles destinados à alimentação escolar.
“O programa de cisternas foi transformador para aquele território. A gente ouviu história de mulheres que caminhavam durante quilômetros para conseguir encontrar uma fonte de água”, relembrou. O programa de cisternas na caatinga, de acordo com Janja, pode se tornar também um legado da COP30 no Brasil para outros biomas.
Em mais uma lembrança sobre sua caminhada pelo Brasil, Janja descreveu a mudança visual e emocional provocada pela água:
“A Caatinga, quando a chuva cai, quando a plantação floresce, quando a água chega, é maravilhosa”, disse.
Mulheres na linha de frente na Mata Atlântica e no Pampa
A primeira-dama dedicou parte significativa do discurso à crise climática, especialmente aos biomas mais afetados por enchentes, como Mata Atlântica e Pampa. Em ambos, ela enxerga mulheres liderando processos de reconstrução e adaptação.
Na Mata Atlântica, destacou iniciativas de mulheres negras e periféricas, como hortas comunitárias e telhados verdes:
“É o território onde a gente vê o maior enfrentamento à mudança climática no que diz respeito às enchentes.”
No Pampa, ela relatou a visita a um assentamento de arroz orgânico onde a água avançou 8 km durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024. “Impressionante como as mulheres que lideraram aquele assentamento conseguiram rapidamente se reconstruir.”

Gênero, financiamento e a convocação dos homens para escutar
Em um dos momentos mais políticos do painel, Janja criticou a ausência de homens como ouvintes nos debates sobre igualdade de gênero e enfrentamento climático. Ela destacou que, historicamente, são as mulheres que ocupam plateias e falam entre si — enquanto os espaços de poder seguem masculinos.
“Poder, ou seja, mulheres nos espaços de poder, a gente precisa colocar mais homens nas nossas plateias. A gente precisa que os homens sentem um pouco e nos escutem, porque normalmente poucas mulheres pegam o microfone em eventos importantes.”
Encerrando sua fala, Janja reforçou que não é possível implementar ações de adaptação climática sem financiamento e, especialmente, sem mulheres nas negociações internacionais. Não há justiça climática sem a presença das mulheres, isso é fundamental para que a gente possa linkar as necessidades das mulheres ao financiamento.”, reforçou e concluiu a primeira-dama.
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