Em semana de Re-Pa, a preparação vai além do campo. No Paysandu, o trabalho psicológico ganhou ainda mais atenção às vésperas da primeira partida da decisão do Campeonato Paraense contra o Clube do Remo. Em entrevista exclusiva à reportagem, a psicóloga do Papão, Thaysse Gomes, explicou como o aspecto emocional é tratado internamente em um clássico que mobiliza cidade, torcida e história.
Segundo ela, o trabalho não muda na essência, mas o contexto exige ajustes. “O trabalho da psicologia em contexto de um clássico já se difere. Não de maneira prática, porque sempre precisamos trabalhar as questões emocionais ligadas ao atleta para que ele tenha alto desempenho. Mas em semana de clássico é preciso entender o contexto da cidade, dos torcedores e como isso influencia. A pressão aumenta, a cobrança é maior, e o nosso papel é utilizar isso a favor do atleta.”
A profissional destaca que o foco é impedir que fatores externos desviem o objetivo esportivo. “O trabalho psicológico ajuda o atleta a manter o foco nas metas esportivas. É entender como as questões externas afetam o desempenho e como gerenciar isso para que não impacte negativamente. Estamos sempre trazendo à tona motivação e metas de curto, médio e longo prazo para que o objetivo principal não se perca.”
No elenco bicolor, a presença de jovens formados na base exige atenção especial. Thaysse explica que muitos estão vivenciando pela primeira vez a dimensão do mundo do futebol profissional. “Eles estão experimentando situações que para atletas mais experientes já são corriqueiras. O trabalho é oferecer instrumentos para lidar com isso, principalmente confiança e tomada de decisão sob pressão. A pressão não desaparece, é preciso saber reagir a ela.”
Papão tem preparação diferenciada para o Re-Pa
A psicóloga também diferencia a preparação para um jogo comum e para um Re-Pa. “A cidade fica diferente, as expectativas ficam intensas, todos os olhos estão voltados para o desempenho. O suporte é individual e coletivo, cognitivo e emocional, seguindo o roteiro que já temos implementado, mas considerando as especificidades do clássico.”
Outro ponto destacado por ela é a influência da relação institucional. Nesta sexta-feira, o Papão ficou de antecipar o pagamento do elenco e os direitos de imagem. A ação da diretoria veio após se tornar público a recuperação judicial do clube, que passa por problemas financeiros. “Ter um clube que honra as responsabilidades financeiras e é transparente dá segurança emocional ao grupo. O atleta se sente respeitado e representado. Isso impacta diretamente no desempenho. Não há nada melhor para um elenco do que se sentir bem vinculado ao clube onde está inserido.”
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