25 C
Belém
sábado, março 7, 2026

Descrição da imagem

Égua, o Pará está no centro do mundo: Belém vive orgulho histórico com a COP30

Data:

Descrição da imagem

Andressa Ferreira/DOL – Belém tem respirado um sentimento de pertencimento incomum desde que foi eleita para receber a COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Para os paraenses, ver a capital amazônica no centro das decisões globais sobre clima representa uma conquista histórica, não apenas por colocar o Pará em evidência, mas por mostrar ao mundo que a Amazônia não é uma abstração distante — ela tem rosto, memória, cultura e voz.

Nas ruas, a atmosfera é de celebração. Os paraenses relatam uma sensação de “finalmente ser visto”, depois de décadas em que a região enfrentou estigmas sociais e distâncias geográficas. A presença de líderes internacionais, pesquisadores e ativistas circulando pelos mercados, ilhas e feiras tradicionais reforçou a ideia de que a vida amazônica, com seus modos próprios de existir, é parte essencial das discussões climáticas globais.

Foto: Emerson Coe/DOL

Para o historiador Wesley Kettle, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a valorização de símbolos da cultura amazônica durante a COP30 ampliou o sentimento de pertencimento e representatividade.

“A escolha dos símbolos culturais amazônicos e paraenses, música, arte, literatura, cozinha e mais, sendo representados na COP30, elevou a autoestima do paraense que vê os visitantes maravilhados com tudo isso. A história da região e os saberes amazônicos passam a ser mais conhecidos pelo público nacional e internacional”, pontua ele.

Wesley Kettle, historiador da UFPA. Foto: Arquivo Pessoal

O Pará no centro do debate mundial

Muitas comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas foram diretamente envolvidas em eventos paralelos, rodas de conversa e apresentações culturais. Para esses grupos, a COP30 se tornou uma vitrine para seus saberes e práticas ancestrais, frequentemente negligenciados nos grandes fóruns internacionais, mas fundamentais para a preservação da floresta.

Leia também:

Outro aspecto marcante tem sido a valorização da cultura local. Pratos típicos ganham destaque nos cardápios dos eventos, artesanatos de cerâmica e palha circula como lembranças simbólicas, e expressões artísticas — do carimbó às narrativas orais — são compartilhadas com visitantes encantados.

Foto: Andressa Ferreira/DOL

Na visão do historiador da UFPA, para muitos paraenses, ver sua cultura respeitada e celebrada reacendeu um sentimento de orgulho profundo. Além disso, novos espaços culturais e turísticos se transformaram e ganharam novos sentidos, refletindo a identidade viva e pulsante da Amazônia.

“Em Belém, muitos espaços culturais puderam maior ganhar visibilidade e isso trouxe maior circulação de capital. Os problemas de mobilidade urbana passaram a ser tratados com maior destaque e soluções estão sendo testadas, isso é importante. Os problemas dos povos da floresta ganharam maior destaque no noticiário. Novos espaços de reunião, como o Parque da Cidade, além da revitalização de espaços públicos, como o Museu Goeldi são resultados positivos e de ordem prática”, pontua Wesley Kettle.

O território também passou a ser contado de outra forma. A história do Grão-Pará, a resistência cabana, as lutas ambientais e sociais ganharam espaço em painéis e exposições, conectando passado e presente. Essa retomada narrativa fortaleceu a percepção de que o Pará sempre foi protagonista, ainda que nem sempre reconhecido, e que sediar a COP30 apenas confirma essa relevância histórica.

Para o historiador da UFPA, “a Amazônia é a região mais importante quando o assunto é natureza e meio ambiente”. Wesley Kettle destaca que ter “o Pará no centro do mundo é fazer justiça”.

“A COP30 ganha com essa escolha e realização, pois estar na Amazônia é estar no lugar mais importante para a discussão ambiental. Isso reforça a representatividade da região na medida em que as múltiplas vozes da floresta podem estar mais próximas do centro do poder decisório, mesmo que precisem realizar manifestações e lutar para serem ouvidas. A região ganha força no cenário mundial no que se refere a luta pela preservação”, reforça o historiador.

COP30 em Belém: um legado para o futuro

A conferência tem funcionado como um catalisador de sonhos e de projetos de vida ligados ao cuidado com o bioma amazônico. Jovens, por exemplo, veem na COP30 uma oportunidade de se imaginar como futuros pesquisadores, líderes comunitários, profissionais ambientais ou até mesmo representantes políticos.

Já para os moradores, o maior legado está na sensação de que suas vivências importam. A COP30 mostra que a Amazônia não é apenas um tema debatido longe daqui — ela é habitada, vivenciada e cultivada diariamente por milhões de pessoas que agora se veem reconhecidas como guardiãs de um patrimônio planetário.

Foto: Emerson Coe/DOL

O sentimento que percorre Belém é claro: sediar a COP30 é mais do que receber um evento global. É uma afirmação de identidade, um gesto de respeito ao povo amazônico e um marco na valorização de tudo aquilo que faz do Pará um território singular — um lugar onde cultura, história e floresta se entrelaçam como parte inseparável da mesma narrativa.

“O principal legado para o Pará e para o Brasil é que a questão ambiental deve ser tratada realmente como política pública”, finaliza o historiador da UFPA.

Obras, investimentos, lazer e cultura

Coordenada pelo governo federal, em parceria com o governo do Pará e com a prefeitura de Belém, a preparação para a COP30 envolveu uma série de investimentos e obras – que incluem projetos de macrodrenagem, saneamento básico, mobilidade urbana e requalificação de espaços públicos – que melhoraram a infraestrutura urbana, garantindo que a capital paraense estivesse pronta para sediar um dos maiores eventos climáticos do mundo.

No âmbito da mobilidade urbana, Belém ganhou, no início do ano, a maior entrega de ônibus novos da história. Na ocasião, foram entregues 300 novos ônibus modernos, equipados com ar-condicionado, Wi-Fi e recursos de acessibilidade para a população. Os veículos, chamados de “Geladão”, passam a integrar imediatamente as linhas da Região Metropolitana de Belém. O novo momento do transporte público também foi reforçado com o anúncio da gratuidade dos ônibus aos domingos e feriados.

Belém também deu um salto em infraestrutura turística com a revitalização do histórico Mercado de São Brás, que agora se destaca como um ponto de encontro para moradores e visitantes, oferecendo uma imersão na cultura e gastronomia local, além do Parque Linear da Nova Doca, que conecta cultura, lazer e mobilidade às margens da Baía do Guajará.

O legado da COP30 também inclui o Museu das Amazônias, com acervo voltado à biodiversidade, à história e às identidades da região, além do Complexo Porto Futuro, com o Armazém da Gastronomia, a Caixa Cultural Belém e o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, espaços dedicados à pesquisa, inovação e sustentabilidade, que ampliam o circuito da economia criativa e reforçam o protagonismo de Belém na valorização da cultura amazônica e do turismo sustentável.

A capital passa a contar também com novas opções de lazer e convivência, como o Porto Futuro II e o Parque da Cidade, área oficial da COP30. As ilhas de Mosqueiro, Outeiro e Combu também integram o novo mapa turístico e ambiental, com roteiros voltados ao turismo de natureza e de base comunitária.

VEJA O QUE OS GRINGOS ESTÃO ACHANDO DE BELÉM. ASSISTA!

ENTENDENNDO O “ÉGUA”

Para quem é de fora ou talvez ainda não tenha tido a oportunidade de estar no Pará, eu te adianto que o “égua”, mencionado no título desta reportagem, não tem a ver com fêmea do cavalo, mas como um modo muito próprio de fala, que expressa desde surpresa ao contentamento, seja reforçando ou contrariando uma ideia, ou até mesmo em tom de desabafo ao alívio. Ou seja, para nós, paraenses, quase tudo pode ser iniciado, resumido ou concluído com um “égua”. Égua, o Pará está no centro do mundo. Que orgulho!

O post Égua, o Pará está no centro do mundo: Belém vive orgulho histórico com a COP30 apareceu primeiro em RBA NA COP.

Compartilhe

Descrição da imagem

Mais Acessadas

Descrição da imagem