O esporte de alto rendimento, historicamente marcado por silêncio e preconceito quando o assunto era orientação sexual, vive uma transformação visível. Cada vez mais atletas e ex-atletas têm tornado públicos seus relacionamentos e celebrado uniões sem receio, consolidando um movimento que alia desempenho dentro das competições e representatividade fora delas.
Ralf Schumacher – ex-piloto de Fórmula 1
Um dos casos mais recentes é o do ex-piloto de Fórmula 1 Ralf Schumacher, irmão de Michael Schumacher, que anunciou que vai se casar com Étienne Bousquet-Cassagne. A informação foi divulgada pela imprensa alemã e confirmada pelo casal em publicação conjunta nas redes sociais, nesta terça-feira (10).
Os dois estão juntos há mais de dois anos e assumiram publicamente o relacionamento em julho de 2024. Segundo a imprensa europeia, a cerimônia deve ocorrer em maio, em Saint-Tropez, na França. Ralf, aposentado desde 2007, foi casado por 14 anos com Cora Schumacher, com quem teve um filho. Após o anúncio do noivado, a ex-esposa enviou felicitações públicas ao casal.
Marta – do futebol
No futebol, a brasileira Marta, considerada uma das maiores jogadoras da história, oficializou a união com a norte-americana Carrie Lawrence em cerimônia intimista nos Estados Unidos, no dia 2 de janeiro deste ano. As duas estão juntas desde 2022 e haviam anunciado o noivado após a medalha de prata do Brasil nos Jogos de Paris. A celebração contou com amigos e familiares, e imagens foram divulgadas pela organizadora do evento.
Gabi Guimarães – vôlei
No vôlei, o relacionamento entre a ponteira Gabi Guimarães e a influenciadora Bruna Unzueta também foi confirmado pelas assessorias das duas, em outubro de 2025. O namoro já era alvo de especulações nas redes sociais, após seguidores perceberem coincidências em viagens e interações públicas.
Martina Navratilova – ex-tenista
A trajetória de atletas que decidiram viver abertamente seus relacionamentos não é recente. Em 2014, a ex-tenista Martina Navratilova oficializou a união com Julia Lemigova em Nova York.
Martina, que construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do tênis, já era assumidamente homossexual desde os tempos em que competia profissionalmente. Ao comentar o casamento, afirmou que, mesmo se adaptando ao novo status, estava feliz por celebrar a união após anos de relacionamento.
E mais…
Nos Jogos Olímpicos, o crescimento da representatividade também chamou atenção.
Amandine Buchard – judô
Medalhista de prata na categoria até 52kg em Tóquio 2020 e campeã olímpica por equipes mistas, a judoca francesa tornou pública sua orientação sexual e participou de um documentário às vésperas dos Jogos no Japão. Em entrevista anterior, afirmou: “É cansativo esconder. Nós não somos nós mesmos, vivemos em uma mentira e eu odeio isso”.
Ana Carolina (Brasil) e Anne Buijs (Países Baixos) – vôlei
Carolana, central da seleção brasileira, e Anne Buijs, capitã da seleção neerlandesa, formam um dos casais mais conhecidos do vôlei internacional. Juntas desde 2016 e casadas desde 2023, já atuaram pelo mesmo clube e hoje jogam na Itália. Carol foi medalhista de prata em Tóquio 2020. Em Paris, podem disputar a mesma edição olímpica, cada uma defendendo seu país.
Ana Marcela Cunha – maratona aquática
Campeã olímpica em Tóquio 2020, Ana Marcela chegou em Paris como uma das maiores referências das águas abertas. Ao conquistar o ouro, declarou: “Pensar em toda essa representatividade de mulher, nordestina e lésbica… Querendo ou não, são muitas coisas e ainda estou processando tudo”.
Em outra ocasião, ressaltou: “Eu acho que consigo fazer muito bem isso, mostrando meu lado, como atuo, minhas conquistas e tudo que eu posso fazer. Sei o quanto isso representa para muitas mulheres, para muitos homossexuais e até héteros que questionam como é beijar outra mulher. É legal conseguir me expor de uma forma positiva sempre. Não sei como, mas eu consigo”.
Em 2023, ela se casou com a preparadora física Juliana Melhem.
Campbell Harrison – escalada esportiva
A imagem do atleta beijando o namorado após garantir vaga no classificatório olímpico viralizou nas redes. Em artigo publicado no Outsports, escreveu: “Sermos abertos, assumidos e com orgulho é como pavimentamos o caminho para uma nova geração de tolerância, aceitação e inclusão”.
Diana Taurasi – basquete
Referência do basquete mundial, é casada com a ex-jogadora Penny Taylor.
Hannah Roberts – ciclismo BMX freestyle
Medalhista de prata em Tóquio 2020, a atleta falou sobre orgulho e identidade ao longo do ciclo, resumindo o sentimento em uma frase: “Orgulho significa se orgulhar de quem você é”.
Hergie Bacyadan – boxe
Após trajetória em outras modalidades, garantiu vaga olímpica no boxe em 2024. Casada desde 2023, compartilha nas redes sociais sua rotina de treinos e momentos ao lado da esposa durante a preparação para Paris.
Jack Woolley – taekwondo
Primeiro irlandês a competir no taekwondo olímpico, falou publicamente sobre sua bissexualidade ainda jovem. Anos depois, refletiu sobre a exposição: “Queria ser conhecido como o cara de Tallaght que foi aos Jogos Olímpicos, não como o atleta gay”.
Robbie Manson – remo
Em sua terceira preparação olímpica, o remador retornou às competições internacionais após aposentadoria temporária. Assumido desde 2014, tornou-se uma das referências de visibilidade na modalidade.
Timo Cavelius – judô
Primeiro judoca assumidamente gay a garantir vaga olímpica, relatou que o silêncio sobre sua orientação o deixava “travado” em treinos e competições. Após se abrir com colegas, ganhou confiança e subiu no ranking internacional, assegurando convocação para Paris.
Tom Daley – saltos ornamentais
Tornou-se uma das vozes mais ativas na defesa de direitos LGBTQ+ no esporte, conciliando carreira vitoriosa e ativismo.
O post De Ralf Schumacher a Marta: atletas que vivem relacionamentos sem tabu apareceu primeiro em Diário do Pará.


