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sábado, março 7, 2026

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COP30: líderes globais lançam RAIZ para investir em solos produtivos

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Júlia Marques/DOL – A manhã desta quarta-feira (19) na 30° Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), evento global que reúne líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil para debater e negociar ações de combate às mudanças climáticas, foi marcada pelo lançamento do RAIZ (Resilient Agriculture Investment), acelerador global criado para impulsionar investimentos em agricultura resiliente e restauração de solos. O evento de alto nível, realizado na Blue Zone, reuniu ministros de Brasil, Reino Unido, Noruega, Nova Zelândia, Arábia Saudita, Peru, Austrália e Japão, além de representantes da FAO e da Coalizão de Alimentos e Uso da Terra (FOLU).

Desenvolvido em parceria pelo Governo do Brasil, FAO, FOLU e pela Convenção da ONU de Combate à Desertificação, o RAIZ se apresenta como uma plataforma internacional destinada a alinhar políticas, financiamento e conhecimento técnico para enfrentar um problema considerado cada vez mais urgente: a degradação dos solos agrícolas, que já atinge um bilhão de hectares em todo o mundo.

Brasil mira 40 milhões de hectares a serem recuperados

Ao abrir a sessão, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, destacou que o país vive um novo ciclo de expansão agrícola, agora baseado na recuperação de áreas já antropizadas, e não na abertura de novas fronteiras. Ele citou o mapeamento feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que identifica 40 milhões de hectares em algum grau de degradação, com alto potencial produtivo se recuperados.

“O que fizemos até aqui não é o que vai nos levar aos próximos 50 anos”, afirmou Fávaro. “O Brasil decidiu estudar qual é o modelo de produção para as próximas décadas, baseado em ciência e na recuperação de áreas degradadas”, disse.

Fávaro detalhou que o programa brasileiro iniciado em 2023 já mobilizou mais de R$50 bilhões em crédito, combinando recursos do Plano Safra e do primeiro Eco Invest. Como resultado, mais de três milhões de hectares de pastagens degradadas já foram restaurados, contribuindo para que o país colhesse, em 2025, a maior safra da história, com 350 milhões de toneladas de grãos.

Além disso, ele reforçou que o crédito oferecido prevê contrapartidas ambientais rígidas. “Nenhum produtor que captar recursos pode desmatar uma árvore sequer, mesmo que tenha o direito pelo Código Florestal. Por dez anos, ele abre mão de desflorestar para acessar esses recursos”, destacou.

Fávaro defendeu que esse modelo, de verticalização, intensificação sustentável e compromisso ambiental, pode se tornar referência global, mas reconheceu que o Brasil não conseguirá financiar sozinho toda a demanda. “É um belíssimo investimento para o mundo. Precisamos captar recursos internacionais para recuperar nossos 40 milhões de hectares. É rentável, seguro e tem garantia do governo brasileiro”, afirmou.

RAIZ será legado da COP30

Moderador da sessão, Kaveh Zahedi, diretor de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), descreveu o RAIZ como um catalisador capaz de transformar projetos isolados em escala global.

“Não se trata apenas de restaurar áreas degradadas, mas de proteger a produtividade futura, garantir segurança alimentar e fortalecer a ação climática. O RAIZ é um legado chave desta COP30″, afirmou.

Segundo ele, o acelerador vai apoiar países na construção de mecanismos nacionais de financiamento público-privado, permitindo que conhecimento e capital circulem mais rapidamente do que a degradação dos solos.

Já a diretora-executiva da FOLU, Morgan Gillespy, reforçou que restaurar terras agrícolas é uma das ações mais eficazes para enfrentar simultaneamente as crises de clima, biodiversidade e alimentação. Ela lembrou que recuperar apenas 10% das terras degradadas do mundo poderia gerar cerca de 44 milhões de toneladas adicionais de alimentos, alimentando 154 milhões de pessoas e criando milhões de empregos rurais.

“Esta não é apenas uma agenda ambiental. É uma agenda de crescimento”, destacou Gillespy.

Contudo, Gillespy ressaltou que há um déficit anual de US$105 bilhões em financiamento global para restauração, menos de 0,1% do PIB mundial. “O setor privado quer investir em soluções baseadas na natureza, mas enfrenta riscos, custos altos e retornos incertos. O RAIZ nasce para destravar esse capital”, disse.

Ela citou exemplos de sucesso no Brasil, Colômbia e Ruanda e explicou que o RAIZ não é um fundo, mas um acelerador, que ajudará cada país a desenvolver o próprio mecanismo de coinvestimento.

Políticas para trabalhar ‘com e para os agricultores’

A ministra da Natureza do Reino Unido, Mary Creagh, elogiou a liderança brasileira e reforçou a necessidade de políticas que coloquem agricultores no centro. “Um terço do solo do mundo está degradado. Isso ameaça nossa segurança alimentar e nossa resiliência climática”, afirmou.

Ela apresentou os programas britânicos que remuneram produtores para práticas regenerativas, como plantio de árvores, proteção de polinizadores e controle de escoamento agrícola, e que receberão aumento de financiamento de 800 milhões de euros para 2 bilhões até 2028.

O Reino Unido também anunciou cooperação ampliada com o Brasil, incluindo um memorando de entendimento sobre uso sustentável de fertilizantes e a Declaração de Belém sobre Fertilizantes. “Não podemos restaurar a terra sem estar juntos. O RAIZ captura exatamente esse espírito de cooperação global”, concluiu.

Um mutirão global para os próximos anos

Com a apresentação dos ministros e parceiros internacionais, o RAIZ foi formalmente lançado como uma das principais entregas estruturantes da COP30. Até 2030, a plataforma oferecerá quatro pilares de apoio:

  • Mapeamento de terras degradadas;
  • Avaliações nacionais de financiamento;
  • Desenho de mecanismos de coinvestimento;
  • Intercâmbio de conhecimento entre países.

A ideia é criar uma rede internacional capaz de atrair investimentos, reduzir riscos, apoiar produtores rurais e restaurar solos que sustentam a vida de bilhões de pessoas. Por fim, o evento de lançamento destacou que recuperar terras degradadas é uma das soluções mais rápidas e eficientes para enfrentar a crise climática e só será possível se for feita em conjunto.

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